- Kalshi e Polymarket buscam avaliação de US$ 20 bilhões
- Mercados de previsão registram crescimento acelerado
- Setor enfrenta pressão regulatória nos Estados Unidos
As plataformas de mercados de previsão Kalshi e Polymarket iniciaram conversas preliminares com investidores para levantar novos recursos com avaliações próximas de US$ 20 bilhões. Caso as negociações avancem, as rodadas podem praticamente dobrar o valor recente atribuído às duas empresas.
A Kalshi havia levantado cerca de US$ 1 bilhão em dezembro com uma avaliação estimada em US$ 11 bilhões, em uma rodada liderada por grandes fundos de venture capital. Já a Polymarket alcançou uma avaliação próxima de US$ 9 bilhões em outubro, após receber um investimento significativo da Intercontinental Exchange, controladora da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE).
O interesse crescente por essas plataformas ocorre após um período de expansão acelerada no volume de negociações. Dados do setor indicam que o volume mensal combinado das duas empresas chegou a aproximadamente US$ 18,3 bilhões em fevereiro, um salto expressivo em comparação com os menos de US$ 2 bilhões registrados em agosto de 2025.
A Kalshi tem liderado em atividade mensal desde setembro, impulsionada principalmente por contratos relacionados a eventos esportivos. A plataforma, que opera sob supervisão da CFTC, também alcançou números expressivos de receita. Estimativas apontam que a empresa já ultrapassou US$ 1 bilhão em receita anualizada, podendo se aproximar de US$ 1,5 bilhão.
Segundo o CEO da companhia, Tarek Mansour, apenas no domingo do Super Bowl o volume negociado na Kalshi superou US$ 1 bilhão.
Enquanto isso, a Polymarket trabalha para ampliar sua presença nos Estados Unidos. Fundada em 2020 por Shayne Coplan, a empresa limitou por anos o acesso de usuários americanos à plataforma. Após obter aprovação regulatória em novembro, a companhia começou a liberar gradualmente o aplicativo para usuários que estavam em lista de espera.
Apesar do crescimento do setor, os mercados de previsão enfrentam pressão política crescente em Washington. Legisladores norte-americanos apresentaram recentemente propostas para restringir contratos envolvendo temas sensíveis, como guerras ou eventos esportivos.
A discussão ganhou força após a identificação de carteiras que teriam realizado apostas significativas sobre um ataque dos EUA ao Irã pouco antes do início de bombardeios aéreos no final de fevereiro. O episódio levantou preocupações sobre possível uso de informação privilegiada.
Outro ponto de debate envolve contratos ligados a eventos extremos. Críticas também surgiram após mercados relacionados ao líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto em ataques conjuntos dos EUA e Israel em março.
Além do escrutínio político, reguladores estaduais de jogos questionam se contratos de previsão esportiva funcionam, na prática, como apostas não licenciadas.
Ao mesmo tempo, novos concorrentes começam a entrar nesse mercado. Empresas como Coinbase, Gemini, Crypto.com e DraftKings já demonstraram interesse em lançar produtos semelhantes.
Gigantes da infraestrutura financeira, incluindo Nasdaq e Cboe, também avaliam oportunidades envolvendo contratos de resultados binários, sinalizando que o setor de mercados de previsão pode se tornar uma nova frente de competição entre plataformas financeiras e empresas ligadas ao mercado de criptomoedas.














