- Ray Dalio questiona Bitcoin como reserva de valor
- Especialistas dizem críticas ao Bitcoin são narrativas antigas
- Bitcoin pode crescer se riscos como computação quântica forem resolvidos
Especialistas do mercado de criptomoedas reagiram às novas declarações do bilionário gestor de fundos Ray Dalio, que voltou a demonstrar ceticismo em relação ao Bitcoin, atualmente negociado próximo de US$ 72.645. O fundador da Bridgewater Associates afirmou que a maior criptomoeda do mercado não possui características suficientes para competir diretamente com o ouro como reserva de valor global.
Durante participação no All-In Podcast, Dalio argumentou que o Bitcoin não conta com apoio de bancos centrais e apresenta limitações relacionadas à privacidade. Segundo ele, o fato de a rede operar com um livro-razão público torna as transações rastreáveis, o que poderia abrir espaço para monitoramento e possíveis restrições no futuro.
O investidor também mencionou a computação quântica como uma ameaça potencial ao sistema de segurança do Bitcoin. Para Dalio, avanços tecnológicos desse tipo poderiam representar um risco estrutural à rede caso novas formas de processamento consigam quebrar os padrões atuais de segurança digital.
Ray Dalio's Three Pillars of a Successful Nation
1) Education that fosters productivity and civility
“You have to educate your children well so that they are capable of being productive. And also educate them in civility.”
2) An economic environment that is productive,… pic.twitter.com/3HAL13sW1v
— The All-In Podcast (@theallinpod) March 4, 2026
Apesar das críticas, representantes do setor de criptomoedas afirmam que os argumentos apresentados por Dalio refletem debates antigos e já amplamente discutidos pelo mercado ao longo da última década.
Matt Hougan, diretor de investimentos da gestora Bitwise, afirmou que algumas preocupações citadas pelo gestor não são totalmente equivocadas, mas que esses pontos também explicam por que o Bitcoin ainda possui espaço para crescimento em relação ao ouro.
“Dalio não está ‘errado’ em um sentido absoluto”, disse Hougan. “Realmente existe algum risco com a computação quântica, e os bancos centrais ainda não estão comprando bitcoin.”
Segundo ele, esses fatores ajudam a explicar por que a capitalização de mercado do Bitcoin, atualmente próxima de US$ 1,4 trilhão, representa apenas cerca de 4% do valor estimado do mercado global de ouro, avaliado em aproximadamente US$ 35 trilhões.
“Essas críticas são, literalmente, a oportunidade,” afirmou Hougan. “Investimos em bitcoin porque acreditamos que essas questões mudarão com o tempo; que os desenvolvedores resolverão o risco quântico e que os bancos centrais irão aceitar.”
Ele acrescentou que, sem essas preocupações, o preço do ativo poderia ser muito maior. “Se essas críticas não existissem, o bitcoin já estaria cotado a 1 milhão de dólares por moeda.”
Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy, também avaliou que as declarações de Dalio repetem discussões antigas. Segundo ele, os argumentos apresentados lembram críticas comuns antes de 2017, período anterior à forte expansão da adoção institucional do Bitcoin.
“As críticas de Ray Dalio ao Bitcoin são reminiscentes de narrativas desgastadas da era pré-2017,” afirmou Thorn, destacando que desenvolvedores já trabalham em soluções que podem mitigar riscos ligados à computação quântica.
Para Thorn, comparações entre Bitcoin e ouro podem ser úteis em certos contextos, mas ignoram diferenças fundamentais entre os dois ativos. Ele destacou que o ouro funciona principalmente como reserva física, enquanto o Bitcoin possui aplicações práticas no ambiente digital.












