- Mercados de ações asiáticos hoje caem com guerra no Oriente Médio
- Kospi despenca 12% e lidera perdas nas bolsas da Ásia
- Alta do petróleo pressiona mercados globais e investidores
Os mercados de ações asiáticos hoje registraram uma forte sessão de queda, liderada pela Coreia do Sul. O índice Kospi despencou mais de 12% nesta quarta-feira, caminhando para um dos piores desempenhos diários em décadas, em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio após novos episódios ligados ao conflito com o Irã.
A intensidade da queda levou a Bolsa de Valores da Coreia a interromper temporariamente as negociações do índice Kospi. Um mecanismo automático de proteção também foi acionado no Kosdaq, índice voltado para empresas de tecnologia, que recuou mais de 10% durante o pregão.
As maiores companhias do mercado sul-coreano acompanharam o movimento negativo. As ações da Samsung Electronics caíram cerca de 7%, enquanto a fabricante de semicondutores SK Hynix registrou recuo próximo de 5%. As duas empresas possuem grande peso no índice e exercem influência direta sobre o comportamento do mercado local.
O desempenho contrasta com o forte avanço registrado no ano anterior. Em 2025, o mercado sul-coreano acumulou valorização superior a 75%, impulsionado principalmente pela alta demanda global por chips de memória e pela expansão da infraestrutura de data centers e tecnologias de inteligência artificial.
Segundo Lorraine Tan, diretora de pesquisa de ações da Morningstar para a Ásia, a estrutura concentrada do índice amplifica movimentos bruscos.
“A queda do KOSPI pode ser amplamente atribuída à concentração em uma única empresa que observamos nos mercados coreanos”, disse Lorraine Tan.
Dados da Morningstar indicam que Samsung e SK Hynix juntas representam quase metade da composição do índice.
Ela também destacou que o movimento recente combina realização de lucros após fortes altas e preocupações com o setor tecnológico. “Acreditamos que a queda no preço das ações é parcialmente impulsionada pela realização de lucros após uma forte valorização em meio a um ambiente de aversão ao risco, mas também implica uma crescente preocupação de que o ritmo de adoção de data centers com IA possa diminuir devido aos seus custos de energia significativamente mais altos do que os data centers convencionais.”
A pressão se espalhou por outras bolsas da região. O índice Nikkei 225, do Japão, caiu cerca de 4,6%, enquanto o Topix recuou mais de 4%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 perdeu aproximadamente 1,8%.
Em Hong Kong, o Hang Seng registrou queda próxima de 2%, enquanto o CSI 300, que acompanha grandes empresas da China continental, recuou cerca de 1%.
O aumento das tensões geopolíticas também elevou os preços do petróleo. Os contratos futuros do petróleo dos Estados Unidos subiram cerca de 0,87%, alcançando US$ 75,21. Já o Brent avançou mais de 5%, chegando a US$ 81,96 por barril, refletindo temores sobre possíveis interrupções no Estreito de Ormuz.
Investidores também acompanham o início das chamadas “Duas Sessões” na China, reunião anual que reúne os principais formuladores de políticas do país. Durante o encontro, o primeiro-ministro Li Qiang deverá apresentar metas econômicas e diretrizes para o crescimento.
Ao mesmo tempo, dados econômicos mostraram enfraquecimento temporário da indústria chinesa. O índice oficial de gerentes de compras (PMI) do setor manufatureiro caiu para 49 em fevereiro, abaixo das expectativas do mercado e indicando contração na atividade industrial.














