- Vitalik Buterin diz: Ethereum é ferramenta inadequada para “salvar o mundo”
- Fundador aponta riscos da IA e política como maiores preocupações
- Comunidade Ethereum deve priorizar “tecnologias de refúgio” e destotalização
Vitalik Buterin voltou a movimentar o debate no X ao afirmar que o Ethereum é uma “ferramenta com o formato errado” para aliviar diretamente as preocupações do mundo. O cofundador tem insistido nos últimos meses sobre quais deveriam ser os ideais do ecossistema e, desta vez, puxou o assunto para temas que dominaram conversas recentes fora do mercado de criptos.
Na publicação, Buterin disse que duas questões têm pesado mais para muita gente: os aspectos negativos da política global atual e os riscos ligados à IA. Nesse contexto, ele afirmou que a “bruta realidade é que o Ethereum parece estar ausente quando se trata de melhorar significativamente a vida das pessoas”.
Mesmo reconhecendo que “liberdade e segurança financeira” são importantes, o fundador indicou que isso, por si só, não resolve a maior parte das angústias mais profundas que ele vê no cenário global. “Não há problema em indivíduos se concentrarem exclusivamente em finanças, mas precisamos fazer parte de um todo maior que também tenha algo a dizer sobre outros problemas”, escreveu ele, ao introduzir a ideia de que a rede não foi desenhada para certas missões.
Over the past year, many people I talk to have expressed worry about two topics:
* Various aspects of the way the world is going: government control and surveillance, wars, corporate power and surveillance, tech enshittification / corposlop, social media becoming a memetic…
— vitalik.eth (@VitalikButerin) March 3, 2026
Buterin também argumentou que o Ethereum não pode assumir o papel de “salvar o mundo” porque, a partir de certo ponto, “consertar o mundo implica uma forma de projeção de poder que se assemelha mais a uma entidade política centralizada do que a uma comunidade tecnológica descentralizada”. Em vez disso, ele sugeriu que a comunidade se enxergue como parte de um ecossistema voltado a construir “tecnologias de refúgio”.
“O objetivo não é refazer o mundo à imagem do Ethereum”, escreveu Buterin. “O objetivo é o oposto: a destotalização.” Para ele, a força do Ethereum aparece melhor quando serve como base aberta, resistente e reutilizável, permitindo que indivíduos e pequenos grupos criem alternativas e melhorem suas próprias situações sem depender de uma autoridade central.
Ao encerrar, Buterin deixou um chamado direto: “Em última análise, a tecnologia é inútil sem usuários. Mas procurem por usuários, tanto individuais quanto institucionais, para quem a tecnologia de refúgio é exatamente o que eles precisam”, escreveu ele.














