- Ethereum prepara defesa contra ataques de computação quântica
- Vitalik propõe assinaturas pós-quânticas e provas STARK
- Segurança futura das criptomoedas entra no foco da rede
O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, apresentou um roteiro técnico voltado à proteção da rede contra possíveis ameaças da computação quântica. Embora ataques em larga escala ainda sejam considerados teóricos, o plano busca preparar a infraestrutura para um cenário de longo prazo.
Now, the quantum resistance roadmap.
Today, four things in Ethereum are quantum-vulnerable:
* consensus-layer BLS signatures
* data availability (KZG commitments+proofs)
* EOA signatures (ECDSA)
* Application-layer ZK proofs (KZG or groth16)We can tackle these step by step:…
— vitalik.eth (@VitalikButerin) February 26, 2026
Na análise publicada, Buterin destacou quatro áreas críticas que poderiam ser afetadas por computadores quânticos: as assinaturas BLS da camada de consenso, os sistemas de disponibilidade de dados baseados em compromissos KZG, as assinaturas de contas externas (EOAs) que utilizam ECDSA e os sistemas de provas de conhecimento zero usados em aplicações.
Caso máquinas quânticas suficientemente poderosas se tornem viáveis, algoritmos como o de Shor poderiam quebrar a criptografia de curvas elípticas. Isso abriria a possibilidade de falsificação de assinaturas digitais e acesso indevido a carteiras, representando um risco direto para usuários e protocolos.
Para mitigar essa ameaça, o roteiro propõe uma transição gradual para métodos de criptografia resistentes à computação quântica. Na camada de consenso, assinaturas baseadas em hash ou em estruturas alternativas poderiam substituir o atual modelo BLS, com suporte de agregação por provas STARK para manter a eficiência.
No caso das contas de usuários, Buterin aponta a abstração de conta como elemento central da adaptação. A proposta vinculada ao EIP-8141 permitiria que carteiras adotassem novos esquemas de assinatura pós-quânticos assim que versões otimizadas estiverem disponíveis.
A mudança, no entanto, traz desafios técnicos relevantes. Assinaturas resistentes à computação quântica costumam ser maiores e exigem mais processamento. Para evitar aumento significativo nos custos de transação, o plano sugere o uso de agregação recursiva de provas no nível do protocolo, permitindo compactar múltiplas verificações em uma única prova STARK.
A infraestrutura de disponibilidade de dados também pode evoluir. O ecossistema estuda substituir os compromissos KZG por construções baseadas em STARK, embora essa transição exija desenvolvimento adicional e testes extensivos.
Além disso, sistemas de provas de conhecimento zero amplamente utilizados hoje, como Groth16, também estão no radar para futuras atualizações, à medida que alternativas pós-quânticas ganhem maturidade.
O roteiro não representa uma atualização imediata, mas um plano de transição progressiva. A abordagem reflete a estratégia do ecossistema de antecipar mudanças tecnológicas e garantir que a segurança das criptomoedas e das aplicações descentralizadas permaneça robusta em um eventual ambiente pós-quântico.












