- Dificuldade do Bitcoin sobe com retorno do hashrate
- Tempestade nos EUA havia derrubado mineração temporariamente
- Rede atinge recorde absoluto em aumento de dificuldade
A rede do Bitcoin registrou um forte ajuste de dificuldade de mineração, que subiu 14,7% e atingiu 144,4 trilhões. O movimento representa o maior aumento absoluto já observado, impulsionado pela rápida recuperação do poder computacional após interrupções causadas por uma intensa tempestade de inverno nos Estados Unidos.
O ajuste ocorreu no bloco 937.440, revertendo a queda de aproximadamente 11% registrada no período anterior. A dificuldade é um indicador relativo que mede o quão complexo é encontrar um novo bloco em comparação ao nível mínimo possível, sendo recalibrada automaticamente a cada 2.016 blocos, cerca de duas semanas.
O objetivo desse mecanismo é manter o tempo médio de produção em torno de 10 minutos por bloco, independentemente da quantidade de mineradores ativos. Dados recentes mostram que, durante o último ciclo, os blocos estavam sendo minerados em média a cada 8 minutos e 47 segundos, ritmo mais rápido que o previsto pelo protocolo.
Esse desempenho foi reflexo direto do aumento do hashrate — a medida do poder total de processamento dedicado à rede. No período, a capacidade saltou de aproximadamente 884 exahashes por segundo para cerca de 1.030 EH/s, indicando o retorno de um volume significativo de máquinas à operação.
O crescimento da dificuldade representou um acréscimo de cerca de 18,5 trilhões em termos absolutos, superando todos os ajustes anteriores. O desenvolvedor conhecido como Mononaut destacou a dimensão da mudança ao afirmar que “os dois últimos ajustes eliminaram 15,8 trilhões da dificuldade de mineração e, em seguida, adicionaram imediatamente 18,5 trilhões de volta”. Ele acrescentou que “Toda a rede Bitcoin levou mais de 11 anos para atingir uma dificuldade total de 15 trilhões.”
A recente volatilidade foi consequência direta das condições climáticas extremas nos EUA. Durante o período mais crítico da tempestade, estima-se que cerca de 200 EH/s tenham sido desconectados temporariamente, com grandes pools reduzindo significativamente suas operações. Em alguns casos, o tempo médio de produção de blocos ultrapassou 12 minutos.
Esse comportamento reflete um padrão crescente na indústria, no qual grandes operações de mineração atuam como cargas flexíveis. Muitas empresas participam de programas de resposta à demanda energética, desligando equipamentos em momentos de pressão sobre a rede elétrica ou quando os custos de energia disparam.
Com a normalização do clima, os equipamentos foram religados e o hashrate voltou rapidamente aos níveis anteriores. O investidor e operador do setor Marty Bent comentou a situação nas redes sociais: “A taxa de hash provavelmente caiu da rede devido às duras condições climáticas do inverno nos EUA, e não porque os mineradores estejam preocupados com computadores quânticos”.
Apesar do forte avanço, o nível atual ainda permanece abaixo do pico histórico de dificuldade, que superou 155 trilhões em novembro de 2025, indicando que a rede segue em fase de recomposição após as interrupções temporárias.












