- Fed dividido sobre cortes nas taxas de juros dos EUA
- Inflação perto de 3% limita novos cortes
- Mercado projeta redução dos juros em junho
As atas da reunião de janeiro do Federal Reserve revelaram um comitê dividido sobre os próximos passos da política monetária. Embora a decisão de manter a taxa básica entre 3,5% e 3,75% tenha sido amplamente aceita, o debate interno mostrou diferenças relevantes sobre quando — ou se — novos cortes devem ocorrer.
De acordo com o documento, parte dos membros entende que reduções adicionais na meta da taxa dos fundos federais poderiam ser retomadas mais adiante no ano, desde que a inflação evolua conforme o esperado. “Ao considerarem as perspectivas para a política monetária, vários participantes comentaram que novos ajustes para baixo na meta da taxa de juros dos fundos federais provavelmente seriam apropriados se a inflação caísse em linha com suas expectativas”, diz o resumo da reunião.
Ao mesmo tempo, outro grupo demonstrou cautela e defendeu a manutenção dos juros nos níveis atuais até que haja sinais consistentes de desaceleração dos preços. “Alguns participantes comentaram que provavelmente seria apropriado manter a taxa básica de juros inalterada por algum tempo, enquanto o Comitê avalia cuidadosamente os dados recebidos, e vários desses participantes julgaram que um afrouxamento monetário adicional poderia não ser justificado até que houvesse indicação clara de que o progresso da desinflação estivesse firmemente de volta aos trilhos”, aponta a ata.
Houve ainda integrantes que mencionaram a necessidade de uma comunicação mais equilibrada, incluindo a possibilidade de alta nas taxas caso a inflação volte a pressionar. O texto observa que essa descrição refletiria “a possibilidade de que ajustes para cima na meta da taxa básica de juros pudessem ser apropriados caso a inflação permanecesse acima da meta”.
O Federal Reserve cortou os juros em três etapas consecutivas no fim do ano passado, totalizando 0,75 ponto percentual. Desde então, os indicadores têm mostrado sinais mistos. O principal índice de inflação acompanhado pela autoridade monetária, o de gastos com consumo pessoal, permanece próximo de 3%, enquanto o núcleo do índice de preços ao consumidor recuou ao menor patamar em quase cinco anos.
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego caiu para 4,3% em janeiro, mas há sinais de desaceleração na criação de vagas fora do setor de saúde.
Operadores de futuros apontam que o próximo corte pode ocorrer em junho, com nova redução projetada para o segundo semestre. Para o mercado de criptomoedas, a definição do ritmo das taxas de juros dos EUA segue relevante, já que decisões sobre liquidez e política monetária influenciam diretamente o apetite por risco global.












