- Vendas de imóveis na China devem cair até 14%
- Excesso de estoque mantém crise imobiliária ativa
- Preços recuam nas grandes cidades chinesas
A crise imobiliária na China ganhou novo capítulo em 2026 após a S&P Global Ratings revisar para baixo sua estimativa para as vendas de imóveis no país. A agência projeta agora uma queda entre 10% e 14% nas vendas de residências novas este ano, deterioração significativa frente à previsão anterior de retração entre 5% e 8%.
Segundo os analistas, o problema está enraizado no excesso de estoque acumulado ao longo dos últimos anos. “Esta é uma recessão tão arraigada que apenas o governo tem capacidade para absorver o excesso de estoque”, afirmaram em nota. A possibilidade de o Estado ampliar a compra de imóveis não vendidos para convertê-los em moradias populares é citada como alternativa, mas até o momento as iniciativas permanecem limitadas.
O mercado imobiliário, que já representou mais de 25% da economia chinesa, encolheu de forma expressiva. Em quatro anos, o volume anual de vendas foi reduzido pela metade. O movimento começou após as autoridades restringirem o elevado endividamento das incorporadoras, medida que enfraqueceu o setor. A demanda dos consumidores, por sua vez, ainda não apresentou recuperação consistente.
A sobreoferta também continua pressionando os preços. De acordo com a S&P, os valores das residências novas podem cair entre 2% e 4% em 2026, após recuo semelhante no ano anterior. “O excesso de imóveis residenciais novos na China está impedindo a recuperação do mercado imobiliário”, destacaram os analistas. “A queda dos preços mina a confiança dos compradores de imóveis”, acrescenta o relatório, classificando a situação como “um ciclo vicioso sem escapatória fácil”.
O enfraquecimento das grandes cidades aumentou a preocupação. Pequim, Guangzhou e Shenzhen registraram queda de pelo menos 3% nos preços no último ano, enquanto Xangai foi exceção, com alta de 5,7% em 2025 na comparação anual.
O desempenho recente reforça a tendência negativa. Em 2025, as vendas de imóveis novos recuaram 12,6%, totalizando 8,4 trilhões de yuans — menos da metade do registrado em 2021. Caso o volume fique ainda mais abaixo das projeções atuais, várias incorporadoras avaliadas pela agência poderão enfrentar novos rebaixamentos de rating, ampliando a pressão financeira no setor.
Enquanto isso, as autoridades chinesas priorizam investimentos em tecnologia avançada em vez de lançar estímulos robustos ao mercado imobiliário. Análises recentes indicam que esse redirecionamento não compensa integralmente a retração do setor, aumentando a dependência do país das exportações para sustentar o crescimento em 2026.














