- Coreia do Sul apura falha grave na exchange Bithumb
- Erro operacional envolveu envio acidental de bilhões em bitcoin
- Reguladores avaliam regras mais duras para corretoras cripto
O Serviço de Supervisão Financeira da Coreia do Sul iniciou uma investigação aprofundada sobre a Bithumb após um erro operacional que resultou na distribuição indevida de uma quantidade massiva de bitcoin. O caso levou o regulador a tratar o episódio como prioridade máxima.
A apuração ganhou força depois que o que seria uma inspeção rotineira foi convertido em uma investigação formal. Autoridades querem entender como a exchange conseguiu processar transferências que superaram de forma significativa suas reservas reais de criptomoedas.
O incidente ocorreu quando, durante uma ação promocional, cerca de 620.000 BTC foram creditados por engano a centenas de usuários. O erro teria sido causado por uma falha de digitação, em que a unidade de recompensa foi inserida como BTC em vez de won sul-coreano.
Após identificar o problema, a Bithumb afirmou ter recuperado 99,7% dos bitcoins distribuídos incorretamente. Também informou que conseguiu reaver 93% dos 1.788 BTC que haviam sido vendidos por usuários antes do bloqueio das operações, restando cerca de 125 BTC ainda fora de alcance.
A corretora declarou que compensará os clientes impactados em 110% das perdas registradas. O episódio também provocou uma queda de aproximadamente 15% no par de negociação bitcoin-won dentro da própria plataforma durante o período de instabilidade.
Como resposta, a empresa prometeu reforçar seus sistemas de controle interno e criar um fundo de proteção ao usuário no valor de 100 bilhões de won. O objetivo é oferecer suporte financeiro em situações inesperadas que afetem clientes.
Mesmo com as medidas, o caso gerou críticas no meio político e regulatório. A capacidade de executar transações com volumes muito acima dos saldos disponíveis levantou questionamentos sobre a gestão de risco e a confiabilidade dos registros internos da exchange.
“Isto não é um mero acidente”, escreveu Na Kyung-won, legislador e membro do Partido do Poder Popular, da oposição. “Se uma corretora opera simplesmente alterando números em um livro-razão interno, sem movimentações reais na blockchain, significa que ela pode estar vendendo bitcoins que nem sequer possui. Isso, na prática, prepara o terreno para uma ‘corrida aos bancos’ e um colapso total do mercado.”
O episódio ocorre enquanto o país discute a Lei Básica de Ativos Digitais, que busca estabelecer um novo marco regulatório para criptomoedas. Autoridades e parlamentares avaliam medidas adicionais que podem impor exigências mais rígidas às exchanges, incluindo limites de participação acionária e responsabilidades legais semelhantes às de instituições financeiras tradicionais.













