- ETF IBIT influencia liquidez e volatilidade do Bitcoin
- Atuação institucional ampliou a pressão vendedora nas últimas semanas
- Indicadores recentes apontam retomada gradual do interesse em Bitcoin
O mercado de criptomoedas atravessou um período de forte ajuste nas últimas semanas, e diferentes leituras passaram a ganhar espaço entre analistas e participantes institucionais. Sob a ótica técnica, o movimento não se resumiu a uma reação pontual a fatores macroeconômicos, mas refletiu um processo mais amplo de drenagem de liquidez e redução de alavancagem, especialmente após o excesso de otimismo observado no início de janeiro.
Na primeira quinzena do ano, entradas relevantes de capital impulsionaram ativos de maior capitalização, permitindo a recuperação de níveis importantes de preço. Com o passar das semanas, porém, esse fluxo perdeu força. A menor liquidez abriu espaço para correções mais intensas, e o Bitcoin passou a sentir de forma mais clara os efeitos do desmonte de posições, indo além de um simples ajuste técnico de curto prazo.
$BTC dump probably due to dealer hedging off the back of $IBIT structured products. I will be compiling a complete list of all issued notes by the banks to better understand trigger points that could cause rapid price rises and falls. As the game changes, u must as well. pic.twitter.com/9DF8VE9XBL
— Arthur Hayes (@CryptoHayes) February 7, 2026
Dentro desse contexto, analistas passaram a relacionar a queda acumulada de cerca de 35% do Bitcoin a movimentos associados ao ETF de Bitcoin à vista IBIT. A avaliação predominante é que estratégias institucionais de proteção e hedge acabaram amplificando a pressão vendedora em momentos específicos de estresse, elevando a volatilidade em um curto intervalo de tempo.
Arthur Hayes, cofundador da BitMex, sintetizou essa dinâmica ao afirmar que o recuo do BTC esteve ligado à necessidade de grandes bancos protegerem exposições relacionadas ao IBIT. Segundo ele, estruturas financeiras vinculadas ao desempenho do ETF exigiram ajustes rápidos à medida que o preço do Bitcoin avançava, levando instituições a venderem ativos para reequilibrar riscos. O movimento não teria ficado restrito a um único participante, com outros players tradicionais adotando estratégias semelhantes.
O ponto mais crítico ocorreu em 5 de fevereiro, quando posições altamente alavancadas no IBIT foram liquidadas de forma forçada. Naquela sessão, o volume negociado atingiu US$ 10,7 bilhões, enquanto os prêmios de opções chegaram a US$ 900 milhões, ambos em níveis recordes, evidenciando a intensidade da movimentação.
Nos dias seguintes, no entanto, alguns sinais começaram a mudar. O IBIT voltou a registrar entradas líquidas relevantes, com um aporte superior a US$ 200 milhões, o primeiro desse porte em quase um mês. Ao mesmo tempo, o Índice Premium da Coinbase do Bitcoin apresentou uma recuperação expressiva, avançando cerca de 65% em poucos dias.
Esses dados reforçam a leitura de que os movimentos recentes não foram aleatórios. Episódios anteriores já mostraram que decisões institucionais podem atuar como gatilho para liquidações amplas em ativos de risco. Agora, a melhora gradual nos fluxos do IBIT e em indicadores de demanda sugere um possível processo de estabilização, mesmo após a perda do suporte dos US$ 80 mil. O cenário aponta para um reequilíbrio cauteloso, com investidores institucionais voltando a se posicionar de forma mais seletiva no mercado de Bitcoin.












