- Ouro bate recorde histórico acima de US$ 5.000
- Tensões geopolíticas elevam demanda por ativos de proteção
- Bancos centrais ampliam compras de ouro em 2025
O ouro alcançou um novo recorde histórico ao ultrapassar a marca de US$ 5.000 por onça, consolidando uma trajetória de valorização que vem se intensificando ao longo de 2025. O movimento reflete a busca dos investidores por proteção diante do aumento dos riscos fiscais e das tensões geopolíticas que seguem pressionando os mercados globais.
Na segunda-feira, o ouro à vista avançou 1,2% e passou a ser negociado em torno de US$ 5.042 por onça. Os contratos futuros do metal nos Estados Unidos para fevereiro também subiram na mesma proporção, sendo cotados a aproximadamente US$ 5.036. A escalada ocorre em um momento em que ativos considerados defensivos voltam a ganhar espaço nas carteiras institucionais e de investidores individuais.
O cenário geopolítico tem sido um dos principais fatores por trás da valorização. Tensões recentes envolvendo Groenlândia, Venezuela e o Oriente Médio elevaram a percepção de risco global, reforçando o papel do ouro como reserva de valor em períodos de incerteza. “A recente alta nos preços do ouro e da prata ocorreu em decorrência de questões geoeconômicas relacionadas à Groenlândia”, escreveu o HSBC em um relatório divulgado na semana passada.
A prata também registrou forte desempenho no mesmo período. O metal valorizou cerca de 3%, sendo negociado próximo de US$ 106,1 por onça, apoiado tanto pela busca por proteção quanto pela demanda industrial, que permanece elevada em diversos setores estratégicos.
De acordo com analistas do Union Bancaire Privée, a alta dos preços reflete uma demanda consistente, vinda tanto de investidores institucionais quanto do varejo. “Prevemos que o ouro deverá ter mais um ano forte, refletindo a demanda contínua de investimento de bancos centrais e investidores individuais, com um preço-alvo de US$ 5.200 por onça no final do ano”, afirmou o UBP.
O Goldman Sachs avalia que a base de demanda pelo ouro se ampliou além dos canais tradicionais. Desde o início de 2025, as reservas de ETFs ocidentais cresceram cerca de 500 toneladas, enquanto compras físicas feitas por famílias de alto patrimônio passaram a exercer um papel cada vez mais relevante como proteção contra riscos macroeconômicos.
O banco elevou recentemente sua projeção para o preço do ouro em dezembro de 2026 para US$ 5.400 por onça, acima da estimativa anterior de US$ 4.900. A instituição argumenta que as proteções contra riscos macroeconômicos e políticos globais se tornaram mais persistentes, elevando o patamar estrutural de preços do metal.
As compras dos bancos centrais seguem como outro pilar importante de sustentação. Segundo o Goldman Sachs, as aquisições mensais giram em torno de 60 toneladas, bem acima da média registrada antes de 2022, com países emergentes continuando a migrar parte de suas reservas para o ouro.














