- Bancos europeus lançam stablecoin atrelada ao euro
- Qivalis mira pagamentos cripto e liquidação rápida
- Projeto busca reduzir domínio do dólar digital
Um grupo de grandes bancos europeus formou um consórcio chamado Qivalis com o objetivo de lançar uma stablecoin atrelada ao euro. A iniciativa busca ampliar a presença da moeda europeia nos pagamentos digitais e nas transações com criptomoedas, em um mercado atualmente dominado por stablecoins lastreadas no dólar americano.
European banks are moving toward a MiCA-compliant, euro-pegged stablecoin—targeting the second half of 2026 through a new entity called Qivalis, pending Dutch Central Bank approval. If successful, it could strengthen Europe’s on-chain payment options and make cross-border… pic.twitter.com/FqXJvdzwz5
— RYO Coin (@ryodigital) January 24, 2026
Entre os participantes estão BNP Paribas, ING, UniCredit, Banca Sella, KBC, DekaBank, Danske Bank, SEB, Caixabank e Raiffeisen Bank International. Segundo o próprio grupo, o BNP Paribas aderiu ao consórcio após o anúncio inicial, reforçando o peso institucional do projeto no setor financeiro europeu.
O lançamento do token está previsto para o segundo semestre de 2026, condicionado à obtenção das aprovações regulatórias e licenças necessárias. A Qivalis terá sede em Amsterdã e será liderada por Jan-Oliver Sell, ex-CEO da Coinbase Alemanha, que assumirá como diretor executivo. O conselho será presidido por Howard Davies, ex-presidente do conselho do NatWest.
A empresa planeja contratar entre 45 e 50 funcionários nos próximos dois anos, com cerca de um terço das vagas já preenchidas. A estrutura operacional foi desenhada para atender às exigências regulatórias europeias, enquanto o consórcio avança no diálogo com autoridades monetárias e supervisores financeiros.
Inicialmente, a stablecoin terá foco na negociação de criptomoedas, oferecendo pagamentos e liquidações quase instantâneos, com custos reduzidos. O consórcio indicou que, em uma fase posterior, os casos de uso poderão ser ampliados para outras aplicações no ecossistema financeiro digital europeu.
A iniciativa surge em meio ao crescimento acelerado das stablecoins, especialmente as atreladas ao dólar, como o Tether. As alternativas lastreadas em euro ainda representam uma parcela limitada do mercado. Um exemplo é o SG-FORGE, do Société Générale, que possui cerca de 64 milhões de euros em circulação, conforme dados disponíveis.
Órgãos reguladores europeus, incluindo o Banco Central Europeu (BCE), têm demonstrado atenção aos impactos das stablecoins privadas sobre o sistema bancário e a política monetária. Há preocupações de que esses tokens possam deslocar depósitos de instituições tradicionais. A Qivalis busca uma licença de Instituição de Moeda Eletrônica junto ao banco central holandês e já manteve reuniões com o BCE, que teria manifestado apoio a uma solução liderada pela Europa para preservar a autonomia estratégica nos pagamentos digitais.
Além da Qivalis, outros grupos de bancos na Europa e nos Estados Unidos avaliam projetos semelhantes, sinalizando um interesse institucional crescente no uso de stablecoins como infraestrutura para pagamentos e liquidações no mercado de criptomoedas.












