- UE reage a tarifas e debate soberania da Groenlândia
- Instrumento Anticoerção entra no radar europeu
- Trump recua e suspende tarifas anunciadas
A União Europeia decidiu interromper formalmente os acordos comerciais em negociação com os Estados Unidos após declarações do atual presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a Groenlândia. A medida foi adotada poucas horas depois de Trump usar o palco do Fórum Econômico Mundial, em Davos, para defender “negociações imediatas” sobre o futuro da região do Ártico, elevando o tom diplomático entre as partes.
A suspensão foi confirmada por Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu. Segundo ele, as recentes ameaças de tarifas entre 10% e 25% e a postura dos Estados Unidos em relação à Groenlândia contrariam compromissos assumidos anteriormente entre Washington e Bruxelas.
“O presidente Trump rompeu o acordo com a Escócia”, afirmou Lange, ao citar tanto o plano tarifário quanto as intenções do presidente americano sobre o território. “Vamos suspender o processo até que haja clareza sobre a Groenlândia e as ameaças”, acrescentou.
Para o parlamentar europeu, o uso de tarifas como ferramenta de barganha política cria um impasse estrutural nas negociações comerciais. “Ele quer que a Groenlândia faça parte dos Estados Unidos o mais rápido possível”, disse Lange, classificando a estratégia como um risco direto à soberania econômica e territorial da União Europeia.
Mesmo após Trump afirmar em Davos que não pretende recorrer ao uso de força militar, Lange minimizou o impacto da declaração. Para ele, o principal problema continua sendo a pressão tarifária. “Não haverá possibilidade de acordo” enquanto essa ameaça permanecer, destacou.
Diante do impasse, a Comissão de Comércio Internacional deve discutir o acionamento do Instrumento Anticoerção, mecanismo criado justamente para responder a práticas consideradas coercitivas. A ferramenta permitiria limitar o acesso de empresas dos EUA ao mercado europeu, restringir investimentos, excluir companhias de licitações públicas e impor barreiras comerciais em todo o bloco.
A Casa Branca reagiu rapidamente. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a União Europeia não cumpriu compromissos assumidos no acordo e acusou o bloco de usar temas políticos externos como justificativa para travar as negociações.
No campo monetário, o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, classificou o cenário como delicado. Segundo ele, uma escalada tarifária pode gerar efeitos colaterais relevantes sobre a política monetária da zona do euro. “Talvez isso possa mudar o jogo para a política monetária”, disse, embora tenha demonstrado expectativa por uma solução negociada.
Pouco depois da decisão europeia, Trump publicou no Truth Social que chegou “a um esboço de um futuro acordo em relação à Groenlândia” após uma reunião com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. O presidente afirmou que não implementará as tarifas previstas para 1º de fevereiro e anunciou uma equipe de negociação liderada pelo vice-presidente JD Vance, além do secretário de Estado Marco Rubio e do enviado especial Steve Witkoff.












