- Bitcoin apreendido vira reserva estratégica dos EUA
- Fim definitivo dos leilões de BTC do governo
- Tesouro adota custódia rígida via Federal Reserve
Em um anúncio realizado durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, no dia 20 de janeiro de 2026, o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, confirmou que todos os Bitcoins apreendidos por autoridades federais passarão a compor uma Reserva Estratégica de Bitcoin recém-oficializada. A decisão sinaliza uma mudança relevante na forma como Washington passa a tratar as criptomoedas no balanço nacional.
Durante mais de dez anos, o Serviço de Delegados dos EUA adotou como prática a venda em leilões públicos dos Bitcoins confiscados em operações policiais. Esse processo recorrente costumava adicionar oferta ao mercado, especialmente em momentos de menor liquidez. Segundo um relatório divulgado em 21 de janeiro, essa política foi encerrada de forma permanente sob a nova diretriz do Tesouro.
Com a alteração, o governo norte-americano passa a tratar uma reserva estimada em mais de 200.000 BTC como ativo de longo prazo. Esses recursos deixam de ser considerados excedentes liquidáveis e passam a integrar uma estratégia de preservação de valor, semelhante ao papel desempenhado por reservas tradicionais.
Bessent classificou a medida como um ajuste necessário da política fiscal, afirmando que o objetivo é “parar as vendas, o que já fizemos, e então poderemos adicionar os ativos às apreensões”. A proposta elimina compras diretas no mercado, adotando o que o secretário chamou de estratégia de acumulação neutra em termos de orçamento.
"THE POLICY OF THIS GOVERNMENT IS TO ADD SEIZED BITCOIN TO OUR DIGITAL ASSET RESERVE" —U.S. Treasury Sec. Scott Bessent on Tornado Cash developers' seized Bitcoin being sold at USA House in Davos #WEF26 pic.twitter.com/aecT8j3giv
— Christine Lee (@christinenews) January 20, 2026
Nessa estrutura, qualquer Bitcoin apreendido em casos ligados a ransomware, crimes cibernéticos, violações de sanções ou processos civis será automaticamente destinado à reserva estratégica. A abordagem permite a expansão das reservas sem aumento de dívida pública ou elevação de impostos, reduzindo resistências políticas internas.
A custódia dos ativos ficará sob regras rígidas estabelecidas em coordenação com o Federal Reserve. Os Bitcoins da reserva não poderão ser vendidos ou transferidos, exceto em situações de emergência econômica nacional ou em um eventual processo amplo de reestruturação da dívida dos EUA.
O anúncio repercutiu rapidamente entre países do G7 e do G20, onde já surgem discussões sobre iniciativas semelhantes. Ao enquadrar o Bitcoin como ativo estratégico, comparável a reservas tradicionais, os Estados Unidos elevam o papel do BTC dentro da infraestrutura financeira soberana.
Analistas institucionais avaliam que a retirada definitiva da pressão vendedora do governo representa um dos fatores estruturais mais favoráveis já observados para o Bitcoin, especialmente após a consolidação dos ETFs à vista. Com o Tesouro preparando a primeira auditoria completa da reserva ainda neste trimestre, o debate agora se estende para o avanço de propostas regulatórias como o GENIUS Act e o CLARITY Act, que buscam oferecer segurança jurídica de longo prazo ao setor digital.












