O analista macroeconômico Raoul Pal afirmou que o forte ajuste enfrentado pelo mercado de criptomoedas em 2025 foi resultado direto de uma escassez severa de liquidez global e de falhas estruturais internas do mercado cripto. A análise foi apresentada durante uma entrevista concedida ao analista Michaël van de Poppe, na qual Pal também trouxe uma previsão explícita de preço para o Bitcoin com base em seus modelos macroeconômicos.
Segundo Raoul Pal, o ano de 2025 foi marcado por uma retirada abrupta de capital dos mercados, o que atingiu de forma mais intensa os ativos posicionados no extremo da curva de risco. Tokens altamente especulativos chegaram a registrar perdas entre 90% e 99%, enquanto projetos considerados de qualidade intermediária recuaram entre 50% e 65%. Ethereum acumulou queda próxima de 40%, enquanto o Bitcoin conseguiu permanecer relativamente estável, um comportamento que, na visão do analista, reforça sua posição como ativo mais resistente dentro do mercado cripto.
Durante a entrevista, Pal destacou que essa resiliência não significa que o Bitcoin esteja corretamente precificado. Pelo contrário. Ao cruzar dados de liquidez global, condições financeiras e a correlação histórica com o Nasdaq, o analista afirmou que o Bitcoin opera hoje bem abaixo do seu valor justo implícito. De acordo com seus modelos, se o Bitcoin acompanhasse a mesma dinâmica de liquidez observada nos mercados de ações de tecnologia, seu preço estaria próximo da faixa de US$ 160 mil.
Raoul Pal explicou que essa diferença de valuation surgiu após um evento crítico em outubro de 2025, quando um shutdown governamental nos Estados Unidos coincidiu com a atuação de grandes vendedores, retirada de market makers e problemas operacionais em corretoras. Esse conjunto de fatores teria provocado uma liquidação estrutural no mercado cripto, rompendo temporariamente a correlação entre Bitcoin, Nasdaq e liquidez global.
Ao projetar o cenário para 2026, o analista se mostrou construtivo. A expectativa envolve queda das taxas de juros, avanço de estímulos fiscais e possíveis mudanças regulatórias que ampliem o fluxo de capital pelo sistema financeiro. Esse ambiente, segundo Pal, tende a favorecer ativos sensíveis à liquidez, criando espaço para uma recuperação mais ampla do mercado de criptomoedas.
Na visão do especialista, sinais iniciais desse movimento já podem ser observados em ativos tradicionais como ouro e prata, que historicamente antecipam ciclos de expansão de liquidez. Dentro desse contexto, o Bitcoin apareceria como o próximo estágio natural dessa rotação de capital, com potencial de se aproximar do patamar indicado pelos modelos macro, à medida que a liquidez volte a se normalizar ao longo de 2026.













