- Tarifas de Trump elevam custos e pressionam preços
- Amazon tenta segurar preços, mas estoque antecipado acabou
- Vendedores repassam ou absorvem tarifas conforme margens
O CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou que as tarifas comerciais do atual presidente dos EUA, Donald Trump, começaram a aparecer nos preços de alguns itens vendidos na plataforma. Segundo ele, vendedores avaliam como lidar com custos adicionais que passaram a pesar nas operações.
Em entrevista à CNBC, Jassy explicou que a Amazon e muitos parceiros terceirizados anteciparam compras de estoque para se proteger das tarifas e manter preços baixos aos consumidores. Esse colchão, porém, se esgotou no outono passado, reduzindo a capacidade de absorver novos aumentos.
“Então, você começa a ver algumas das tarifas se infiltrando nos preços de alguns itens, e vê alguns vendedores decidindo repassar esses custos mais altos para os consumidores na forma de preços mais altos, alguns decidindo absorvê-los para impulsionar a demanda, e alguns adotando uma abordagem intermediária”, disse Jassy. “Acho que estamos começando a ver mais desse impacto.”
As declarações marcam uma mudança em relação ao ano anterior, quando o executivo indicou que a empresa não havia percebido “aumentos significativos nos preços” meses após o anúncio das tarifas. Naquele momento, a estratégia de antecipação de estoques ajudou a suavizar os efeitos.
Em abril do ano passado, Jassy já havia alertado que parte dos vendedores poderia ser forçada a repassar custos ao consumidor final, dado o limite das margens. Ele observou que algumas empresas “não têm uma margem extra de 50% para trabalhar”, o que reduz opções em cenários de choque de custos.
A Amazon, segundo o CEO, continua empenhada em “manter os preços o mais baixos possível”. Ainda assim, reconhece que aumentos podem ser inevitáveis em determinados produtos, à medida que a cadeia de suprimentos reage às tarifas e aos custos operacionais.
“Em determinado momento, como você sabe, o varejo é um negócio com margem operacional de um dígito médio, se os custos das pessoas aumentarem em 10%, não há muitos lugares para absorver esse aumento”, disse Jassy. “Você não tem opções infinitas”, acrescentou.
O movimento ocorre em um ambiente de atenção dos mercados a políticas comerciais e seus reflexos no consumo. Para investidores, inclusive os que acompanham criptomoedas e ativos de risco, sinais de inflação por custos e pressão sobre margens entram no radar ao lado de decisões macroeconômicas e de política monetária do Federal Reserve.
No mercado acionário, as ações da Amazon recuaram quase 2% no dia das declarações, embora ainda acumulem alta de 1,5% no ano. O desempenho reflete a leitura dos investidores sobre a capacidade da companhia de equilibrar preços, demanda e rentabilidade em um contexto de tarifas mais elevadas.












