- Portugal bloqueia Polymarket por apostas políticas ilegais
- Apostas eleitorais superam €4 milhões antes dos resultados
- Plataforma enfrenta pressão regulatória internacional
As autoridades portuguesas ordenaram o bloqueio da plataforma de previsões Polymarket no país após identificarem um aumento expressivo nas apostas relacionadas às eleições presidenciais, realizadas pouco antes da divulgação dos resultados oficiais. A decisão reforça a posição do regulador contra apostas políticas e o uso de plataformas não licenciadas que operam com criptomoedas.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa local, o Serviço de Regulação e Inspeção do Jogo (SRIJ) determinou que a Polymarket suspendesse suas atividades em Portugal no prazo de 48 horas. O órgão concluiu que a plataforma não possui autorização para operar no país e que apostas eleitorais são proibidas pela legislação nacional em vigor.
Mesmo após o aviso emitido em 16 de janeiro, o site da Polymarket permaneceu acessível nos dias seguintes. Diante disso, o regulador avançou com medidas técnicas para restringir o acesso à plataforma em nível de rede, visando impedir a continuidade das operações junto a usuários portugueses.
A ordem de bloqueio ocorreu em meio a uma atividade atípica nos mercados de previsão ligados às eleições presidenciais. Estimativas indicam que mais de 4 milhões de euros foram movimentados nesses mercados poucas horas antes do anúncio oficial dos resultados. O volume elevado levantou preocupações sobre a possibilidade de apostas baseadas em informações não públicas, como pesquisas de boca de urna.
No total, o principal mercado presidencial da Polymarket registrou um volume superior a 110 milhões de euros ao longo do período eleitoral. Segundo as autoridades, a plataforma só chamou a atenção do regulador recentemente, sendo classificada como ilegal desde o início por operar fora do sistema de licenciamento português.
O SRIJ também alertou que, por não supervisionar operadores não autorizados, não pode assegurar que usuários locais consigam recuperar eventuais fundos mantidos na plataforma após o bloqueio. O comunicado reforçou que apenas operadores licenciados estão sujeitos às regras de proteção ao consumidor no país.
Fundada em 2020, a Polymarket permite que usuários negociem resultados de eventos do mundo real por meio de criptomoedas, com liquidação geralmente realizada em stablecoins. Embora a empresa se apresente como um mercado de previsões, reguladores em diferentes jurisdições têm enquadrado a atividade como apostas.
A ação de Portugal se soma a iniciativas semelhantes em outros países europeus. França, Alemanha e Hungria já adotaram medidas para restringir ou investigar a atuação da Polymarket. Nos Estados Unidos, reguladores estaduais também intensificaram a fiscalização, com ordens de cessação emitidas recentemente contra operações da plataforma.
O movimento evidencia a crescente atenção regulatória sobre mercados de previsão baseados em criptomoedas, especialmente quando envolvem eventos políticos e eleitorais.












