- PIB da China cresce menos no quarto trimestre
- Consumo interno fica abaixo das previsões
- Exportações seguem sustentando a economia chinesa
O ritmo de crescimento da economia da China perdeu força no quarto trimestre de 2025, refletindo a persistente fragilidade do consumo doméstico e a retração contínua dos investimentos. De acordo com dados oficiais divulgados nesta semana, o Produto Interno Bruto avançou 4,5% no período entre outubro e dezembro, marcando o desempenho trimestral mais fraco desde o início de 2023.
O resultado representou desaceleração frente à taxa de 4,8% registrada no trimestre anterior. Ainda assim, no acumulado do ano, o crescimento atingiu 5%, alinhando-se à meta estabelecida pelo governo chinês, apesar do ambiente econômico desafiador marcado por dificuldades no setor imobiliário e pressões externas vindas das disputas comerciais com os Estados Unidos.
Os números de dezembro evidenciaram um comportamento desigual entre os principais motores da economia. As vendas no varejo, principal indicador do consumo das famílias, avançaram apenas 0,9% na comparação anual, ficando abaixo das projeções do mercado. O dado sinaliza cautela dos consumidores, influenciada por renda pressionada, menor confiança e pelo impacto prolongado da crise imobiliária.
Em contrapartida, a produção industrial apresentou melhora relevante. O crescimento de 5,2% superou as estimativas e indicou recuperação gradual do setor manufatureiro, impulsionada principalmente por encomendas externas. Mesmo com esse avanço, o investimento em ativos fixos caiu 3,8% ao longo de 2025, evidenciando a dificuldade do país em reativar projetos de longo prazo, especialmente no segmento imobiliário.
O desempenho mais sólido das exportações tem sido fundamental para compensar a fraqueza interna. A China registrou um superávit comercial histórico próximo de US$ 1,2 trilhão, resultado do aumento das vendas para mercados fora dos EUA. Para Tommy Xie, executivo do OCBC Bank, os efeitos negativos da valorização cambial e de controles mais rígidos foram limitados, e a expectativa é de crescimento moderado das exportações em 2026.
Analistas alertam que a dependência excessiva do setor externo cria desequilíbrios estruturais. Segundo Eswar Prasad, da Universidade Cornell, a combinação de investimentos enfraquecidos e consumo doméstico lento torna o atual modelo econômico pouco sustentável no médio prazo.
Diante desse cenário, o Banco Popular da China anunciou medidas recentes de estímulo ao crédito, incluindo cortes de juros e ampliação de programas de financiamento para setores estratégicos. Economistas do Goldman Sachs avaliam que novas ações monetárias devem ser implementadas nos próximos meses para tentar reativar a demanda interna e aliviar as pressões deflacionárias que ainda persistem.














