- Bitcoin entra em ciclo guiado por estrutura e liquidez
- ETFs e instituições moldam preços das criptomoedas
- Macroeconomia redefine fluxo de capital para criptos
Os mercados de criptomoedas caminham para 2026 com um ajuste marcado menos por movimentos abruptos de preços e mais por mudanças profundas na estrutura de mercado. Essa é a avaliação da Kraken, que vê a próxima fase do ciclo do bitcoin sendo influenciada por forças macroeconômicas persistentes e por uma presença institucional mais relevante na formação de preços.
Em uma análise recente, o economista global da Kraken, Thomas Perfumo, destacou que o bitcoin segue como principal termômetro de apetite ao risco, mas com canais de demanda e liquidez diferentes dos ciclos anteriores. Segundo ele, ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos e empresas que mantêm criptomoedas em tesouraria passaram a ter papel central na dinâmica do mercado, mesmo que os ganhos observados não tenham acompanhado o volume de entradas.
Perfumo observou que, ao longo de 2025, esses veículos responderam por cerca de US$ 44 bilhões em demanda líquida à vista por bitcoin. Ainda assim, o desempenho ficou aquém do esperado, já que detentores de longo prazo colocaram parte relevante do estoque em circulação.
“O resultado é um mercado que absorve enormes fluxos de entrada sem a valorização reflexiva observada em ciclos anteriores”,
afirmou Perfumo.
Para a Kraken, fatores macroeconômicos continuam sendo determinantes. Crescimento moderado, inflação resistente e um ritmo mais cauteloso de flexibilização monetária seguem limitando ativos de risco. Nesse contexto, períodos de estabilidade podem ocultar tensões de liquidez que se manifestam quando o ambiente financeiro se torna mais restritivo.
A análise também aponta stablecoins e regulação como pilares estruturais para 2026. A liquidez dessas moedas atingiu níveis recordes, enquanto iniciativas regulatórias nos EUA, como a Lei GENIUS, tendem a influenciar a forma como a liquidez on-chain se organiza e onde a inovação em criptomoedas ocorre.
Uma leitura semelhante aparece na visão de Cathie Wood, da Ark Invest. Ao comparar 2025, ela destacou a divergência entre ativos: o ouro acumulou alta de 65%, enquanto o bitcoin recuou 6%, apesar da oferta limitada da principal criptomoeda.
“Curiosamente, a correlação entre bitcoin e ouro é menor do que a correlação entre o S&P 500 e títulos”,
afirmou.
“Em outras palavras, o bitcoin deve ser uma boa fonte de diversificação para gestores de ativos que buscam retornos mais altos por unidade de risco nos próximos anos.”
Outros analistas observam que a tokenização de ativos e o avanço de modelos DeFi podem ganhar espaço na formação de liquidez. Para a Kraken, a integração de ativos financeiros tradicionais em redes blockchain tende a abrir novas fontes de demanda global, reforçando a importância da estrutura de mercado no próximo ciclo das criptomoedas.












