- Guerra econômica lidera riscos globais de curto prazo
- Competição geopolítica supera conflitos armados tradicionais
- IA e tecnologia ampliam incertezas econômicas e financeiras
As principais potências globais estão se preparando para um período de intensificação da guerra econômica, segundo o mais recente Relatório Anual de Riscos Globais divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF). O levantamento indica que o confronto geoeconômico e a competição entre países foram classificados como o risco mais grave no curto prazo, superando ameaças como conflitos armados entre Estados, campanhas de desinformação e até as mudanças climáticas.
A pesquisa ouviu especialistas, líderes empresariais e formuladores de políticas públicas, que avaliaram os riscos mais relevantes em um horizonte de dois anos. Aproximadamente metade dos participantes apontou a guerra econômica e a rivalidade geopolítica como as principais preocupações imediatas, refletindo o aumento de tensões comerciais, sanções, disputas por cadeias de suprimento e políticas industriais mais protecionistas.
O relatório sugere que o ambiente global passa por uma reorganização acelerada, com países priorizando segurança econômica e soberania tecnológica. Esse movimento tem impacto direto nos mercados financeiros, incluindo o setor de criptomoedas, que costuma reagir a incertezas macroeconômicas, políticas monetárias mais rígidas e mudanças nas regras de comércio internacional.
Além das tensões econômicas entre Estados, o WEF destacou o avanço acelerado da inteligência artificial e da computação quântica como fatores que ampliam riscos estruturais. Segundo o documento, essas tecnologias emergentes podem afetar o emprego, aprofundar desigualdades e pressionar a estabilidade geopolítica, elevando rapidamente o risco associado à IA no ranking de longo prazo.
O relatório também observa que a fragmentação global tende a dificultar a coordenação internacional em temas como governança tecnológica, regulação financeira e gestão da dívida soberana. Esse cenário cria desafios adicionais para economias emergentes e para setores inovadores, incluindo empresas ligadas a blockchain e ativos digitais, que operam em um ambiente cada vez mais regulado e sensível a disputas entre grandes blocos econômicos.
As conclusões foram divulgadas às vésperas do encontro anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, onde líderes políticos e executivos devem discutir temas como tarifas, endividamento público, segurança energética e regras para tecnologias avançadas. A expectativa é que o debate reflita a preocupação crescente com a escalada da competição econômica global e seus efeitos sobre o crescimento, a estabilidade financeira e os fluxos internacionais de capital, em um contexto no qual as criptomoedas também passam a ser observadas como parte do sistema financeiro global em transformação.












