- Banco da Tailândia monitora negociações de USDT
- Stablecoins entram no foco contra dinheiro cinza
- Autoridades reforçam controle sobre fluxos estrangeiros
O Banco da Tailândia passou a incluir as negociações com USDT em seu sistema de monitoramento financeiro, como parte de uma ofensiva mais ampla contra o chamado “dinheiro cinza”. A iniciativa ocorre após a constatação de que uma parcela relevante das transações com stablecoins em plataformas locais envolve participantes estrangeiros, o que acendeu alertas sobre fluxos de capital não declarados.
De acordo com o governador Vitai Ratanakorn, cerca de 40% dos vendedores de USDT que operam em plataformas tailandesas são estrangeiros que “não deveriam estar negociando” no país. Diante desse cenário, as stablecoins passaram a ser analisadas ao lado de movimentações em dinheiro físico, comércio de ouro e transferências via carteiras digitais, todos considerados potenciais canais para práticas financeiras irregulares.
O acompanhamento mais rigoroso acontece mesmo com o mercado doméstico de criptomoedas sendo relativamente pequeno. O volume diário de negociações gira em torno de 2,8 bilhões de baht, bem abaixo dos 10 a 15 bilhões de baht movimentados diariamente no mercado cambial tradicional. Ainda assim, autoridades avaliam que o tamanho reduzido não elimina o risco de uso das criptos para lavagem de dinheiro ou evasão de controles de capital.
“Não nos limitaremos mais apenas à análise”,
disse Vitai.
“Estenderemos a mão para liderar a solução de problemas estruturais. Se essas questões não forem abordadas, elas acabarão por afetar a estabilidade macroeconômica a longo prazo.”
A postura do banco central segue uma diretriz anunciada em 9 de janeiro pelo primeiro-ministro Anutin Charnvirakul, que determinou o endurecimento da supervisão sobre a negociação de ouro e ativos digitais. As medidas incluem exigências mais rigorosas de reporte e aplicação de regras de identificação de carteiras digitais, em um esforço coordenado entre o banco central, a Receita Federal e outras agências reguladoras.
O aumento do escrutínio na Tailândia ocorre em paralelo à expansão global das stablecoins. A oferta total desse segmento já ultrapassa US$ 292 bilhões, com o USDT respondendo por aproximadamente 64% do total em circulação. Esse crescimento também trouxe desafios regulatórios, especialmente diante do aumento do uso de stablecoins em transações ilícitas, que em 2025 representaram 84% desse tipo de atividade no mercado de criptomoedas.
A Tether, emissora do USDT, afirma adotar uma política proativa de congelamento de carteiras desde dezembro de 2023, alinhada às listas de sanções internacionais. Segundo a empresa, mais de US$ 3 bilhões em USDT já foram bloqueados em cooperação com autoridades de diferentes países, incluindo um congelamento recente de mais de US$ 182 milhões ligados a endereços na rede Tron.
Apesar das ações de fiscalização, o USDT continua sendo alvo de debates globais sobre seu uso em economias com restrições financeiras, mantendo as stablecoins no centro das discussões regulatórias internacionais.













