- Futuros dos EUA caem antes do IPC
- Mercado aguarda inflação e juros do Fed
- Bancos iniciam temporada de resultados
Os futuros de ações dos Estados Unidos operaram em leve queda na noite de segunda-feira, refletindo a cautela dos investidores às vésperas da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e do início da temporada de resultados dos grandes bancos. O movimento indica um ajuste pontual após recordes recentes, com o mercado buscando novos sinais sobre inflação, juros e lucros corporativos.
Os contratos atrelados ao Dow Jones Industrial Average recuaram cerca de 65 pontos, equivalente a 0,1%. Já os futuros do S&P 500 caíram aproximadamente 0,2%, enquanto os do Nasdaq 100 registraram baixa em torno de 0,3%. A oscilação moderada mostra um ambiente de espera, sem mudanças bruscas no apetite por risco.
A principal referência do dia é o relatório do IPC, previsto para terça-feira, que deve oferecer uma leitura mais clara da trajetória dos preços após distorções causadas pela paralisação do governo americano no outono passado. Economistas projetam alta anual de 2,7% em dezembro, em linha com o dado de novembro, que surpreendeu positivamente ao ficar abaixo das estimativas.
A atenção ao IPC ganhou ainda mais peso depois do relatório de empregos de dezembro indicar um mercado de trabalho um pouco mais fraco, porém estável. Esse cenário reforçou a percepção de que o Federal Reserve pode adiar cortes de juros. Os futuros de Fed Funds indicam dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo do ano, a partir de junho, segundo a ferramenta FedWatch da CME.
“Os investidores provavelmente estarão acompanhando de perto para ver se o recente ímpeto desinflacionário pode ser sustentado agora que o BLS retomou suas operações normais”, disse Angelo Kourkafas, estrategista global sênior da Edward Jones. “Nos últimos meses, os preços dos bens subiram de níveis relativamente baixos, provavelmente refletindo a transferência de custos relacionados às tarifas. Em contrapartida, a inflação de serviços apresentou sinais encorajadores de moderação gradual. Esperamos que o arrefecimento das condições do mercado de trabalho contribua para uma maior redução da inflação de serviços ao longo de 2026.”
Além dos dados macroeconômicos, o foco também recai sobre os balanços corporativos. O JPMorgan divulga seus resultados do quarto trimestre antes da abertura do mercado, dando início a uma sequência de relatórios de grandes instituições como Bank of America, Citigroup e Morgan Stanley. Para Hank Smith, chefe de estratégia de investimentos da Haverford Trust, os números devem ser sólidos, apoiados por crescimento econômico, desregulamentação e crédito robusto, além de uma curva de juros mais inclinada.
Na sessão regular de segunda-feira, o S&P 500 e o Dow Jones renovaram máximas históricas, assim como o Russell 2000. O mercado deixou em segundo plano as notícias sobre a investigação do Departamento de Justiça envolvendo o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, vista como parte da pressão do atual presidente dos EUA, Donald Trump, por juros mais baixos. Trump também voltou a defender um teto temporário de 10% para juros de cartões de crédito e ameaçou impor tarifa de 25% a países que mantenham negócios com o Irã, fatores que ajudaram a pressionar ações bancárias no pregão.














