- Coreia do Sul discute limite corporativo em criptomoedas
- FSC propõe alocação anual máxima de 5%
- Medida pode ampliar liquidez em Bitcoin e Ethereum
As autoridades financeiras da Coreia do Sul estão avançando em discussões regulatórias que podem redefinir a participação de empresas no mercado de criptomoedas. A Comissão de Serviços Financeiros do país (FSC) analisa a criação de um limite de 5% do capital social para investimentos corporativos em ativos digitais, como parte de um processo mais amplo de abertura controlada ao setor cripto.
De acordo com informações divulgadas pela mídia local, a FSC já elaborou uma diretriz preliminar voltada à negociação de criptomoedas por empresas listadas e investidores profissionais. A versão final do documento deve ser apresentada entre janeiro e fevereiro, com expectativa de que as operações corporativas com criptos comecem ainda em 2025.
A proposta estabelece que empresas e investidores qualificados poderão alocar, anualmente, até 5% do capital social em até 20 criptomoedas líderes em valor de mercado. A eventual inclusão de stablecoins lastreadas em dólar, como o USDT, segue em análise pelas autoridades, refletindo preocupações regulatórias adicionais relacionadas a esses ativos.
Para analistas do setor, a liberação gradual dos investimentos institucionais tende a gerar efeitos imediatos na liquidez. Segundo Min Jung, pesquisador associado da Presto Research,
“O impacto imediato será uma melhoria na liquidez, mas mesmo com a elegibilidade limitada às 20 maiores criptomoedas por capitalização de mercado, esperamos que os fluxos permaneçam concentrados no Bitcoin e potencialmente no Ethereum, com um impacto limitado nas altcoins”.
As diretrizes em discussão fazem parte da estratégia da FSC para desmontar, de forma progressiva, a proibição prática que historicamente restringiu a negociação institucional de criptomoedas no país. Em meados de 2025, organizações sem fins lucrativos e corretoras já passaram a ter permissão para vender reservas em cripto. A ampliação para empresas listadas representa o próximo passo desse movimento.
O limite de 5% foi proposto como mecanismo de controle de risco, evitando exposição excessiva das empresas às oscilações do mercado cripto. Além disso, o regulador planeja implementar regras de negociação fracionada e limites de preço para execução de ordens, com foco na estabilidade do mercado diante do aumento esperado de liquidez.
Na visão de Jung:
“Embora o limite de alocação de 5% possa parecer conservador, dado que este é o primeiro passo, é improvável que muitas empresas queiram ultrapassar esse nível, portanto, não parece ser uma restrição significativa”.
Paralelamente, o setor acompanha a evolução da Lei Básica sobre Ativos Digitais, que deve consolidar regras para stablecoins atreladas ao won e abrir caminho para os primeiros ETFs de criptomoedas à vista no país. Para Jung, “A questão mais importante a ser observada na Coreia continua sendo a regulamentação das stablecoins, particularmente qualquer estrutura em torno de uma stablecoin denominada em won, que poderia ter implicações muito maiores para o ecossistema cripto local”.














