- Proibição de doações em criptomoedas ganha apoio parlamentar
- Transparência eleitoral vira foco do governo trabalhista
- Regulação de criptomoedas pressiona regras de financiamento político
Presidentes de sete comissões parlamentares do Reino Unido intensificaram a cobrança por uma proibição total de doações políticas em criptomoedas, ampliando um debate que se arrasta há meses sobre o papel desses ativos no financiamento eleitoral. A mobilização ocorreu após o envio de uma carta ao governo, assinada por Liam Byrne e outros seis presidentes de comissões, defendendo mudanças mais duras na legislação.
No documento, os parlamentares sustentam que as doações em criptomoedas dificultam a transparência, a rastreabilidade e a fiscalização do dinheiro usado por partidos políticos. O argumento central é que, sem mecanismos claros de controle, o modelo atual pode abrir brechas para abusos e comprometer a integridade do sistema eleitoral britânico.
“As criptomoedas podem ocultar a verdadeira origem dos fundos, permitir milhares de microdoações abaixo dos limites de divulgação e expor a política do Reino Unido à interferência estrangeira”, disse Byrne em um comunicado. “A Comissão Eleitoral alertou que a tecnologia atual torna esses riscos excepcionalmente difíceis de gerenciar.”
A iniciativa aumenta a pressão sobre o governo trabalhista, que avalia o tema desde meados de 2025. À época, o ministro do Gabinete, Pat McFadden, já havia levantado publicamente a possibilidade de proibir doações políticas feitas em criptomoedas. Internamente, o entendimento é que esse tipo de financiamento representa risco à integridade eleitoral, embora a complexidade jurídica e técnica torne difícil incluir a medida no próximo Projeto de Lei Eleitoral.
O debate ganhou força adicional quando Reform UK anunciou que passaria a aceitar doações em bitcoin e outras criptomoedas. A decisão foi apresentada pelo líder do partido, Nigel Farage, como parte de uma agenda mais ampla voltada às criptos. No entanto, a iniciativa provocou reação imediata de adversários políticos e reforçou pedidos por limites mais claros.
A assunto se aprofundou após a revelação de uma doação recorde de £ 9 milhões feita ao Reform por um investidor do setor de criptomoedas residente no exterior. Embora o valor tenha sido transferido em moeda tradicional, a origem da fortuna reacendeu questionamentos sobre conflitos de interesse e sobre a influência indireta do mercado de criptomoedas na política britânica.
Essa pressão ocorre enquanto o Reino Unido estrutura seu marco regulatório para criptomoedas. O Parlamento já reconheceu os ativos digitais como forma de propriedade, e o governo planeja enquadrar o setor dentro das regras financeiras tradicionais até 2027. Paralelamente, a Financial Conduct Authority trabalha na consolidação de um regime regulatório mais amplo, com etapas de implementação previstas a partir de 2026.
Caso avance, a proibição colocaria o Reino Unido em rota distinta de países como os Estados Unidos, onde doações políticas ligadas a criptomoedas seguem permitidas em nível federal, apesar de restrições pontuais adotadas por alguns estados.














