- Japão integra criptomoedas às bolsas reguladas
- ETFs de criptomoedas ganham apoio político no país
- Reforma tributária pode atrair investidores em criptos
O governo do Japão reforçou nesta semana seu posicionamento favorável à integração de criptomoedas aos mercados tradicionais. Durante uma mensagem de Ano Novo realizada na Bolsa de Valores de Tóquio, a ministra das Finanças Satsuki Katayama defendeu que a aproximação entre ativos digitais e bolsas reguladas pode ampliar a participação de investidores e impulsionar o crescimento econômico.
Segundo Katayama, as bolsas de valores continuam sendo o principal ponto de acesso para investidores individuais e instituições que buscam exposição a tecnologias baseadas em blockchain. A ministra destacou que plataformas regulamentadas oferecem maior previsibilidade operacional, além de facilitar a entrada de capital institucional interessado em criptomoedas.
Ao citar experiências internacionais, Katayama mencionou o mercado dos Estados Unidos, onde ETFs de criptomoedas ganharam relevância como instrumentos de diversificação de portfólio e proteção contra a inflação. Para o governo japonês, esse modelo demonstra como produtos financeiros regulados podem aproximar o público tradicional do mercado de criptos sem romper com as estruturas já consolidadas.
Atualmente, o Japão não possui ETFs de criptomoedas listados internamente, embora autoridades reconheçam que a demanda por esse tipo de produto vem crescendo entre investidores locais. A ministra classificou 2026 como “o ano digital” do país, prometendo apoio governamental às bolsas que investirem em sistemas avançados de negociação baseados em novas tecnologias.
O discurso também enquadrou a agenda digital como parte de um esforço mais amplo para lidar com desafios estruturais da economia japonesa. Questões como deflação persistente e crescimento moderado foram citadas como obstáculos que exigem medidas fiscais, inovação tecnológica e investimentos direcionados para restaurar a confiança de empresas e consumidores.
Nos últimos meses, o Japão vem adotando ações para se reposicionar como um polo relevante no mercado global de criptomoedas. Em outubro, a Agência de Serviços Financeiros iniciou discussões sobre permitir que bancos negociem e mantenham criptos ao lado de ações e títulos públicos, ampliando o escopo de atuação das instituições financeiras tradicionais.
O mesmo período marcou avanços regulatórios adicionais, incluindo planos para reclassificar mais de uma centena de criptomoedas, como bitcoin e ether, dentro de um arcabouço financeiro mais claro. Paralelamente, autoridades avaliam reduzir a alíquota máxima de imposto sobre ganhos com criptomoedas de 55% para 20%, movimento visto como estratégico para estimular a participação doméstica e atrair novos investidores ao mercado japonês.














