- Lei cripto enfrenta atraso por conflito de interesses
- Democratas e republicanos travam acordo regulatório
- Lei CLARITY segue como caminho parcial em 2026
Um projeto de lei abrangente para estruturar o mercado de criptomoedas nos Estados Unidos deve enfrentar um atraso significativo, com aprovação improvável antes de 2027 e implementação completa apenas por volta de 2029. A avaliação consta em uma análise recente da TD Cowen, que aponta disputas políticas sobre regras de conflito de interesses como o principal fator de paralisação do processo legislativo.
Segundo o relatório, a proposta de estruturação do mercado, frequentemente associada à chamada Lei da Clareza, encontra resistência devido à exigência de salvaguardas éticas defendidas por parlamentares democratas. Essas regras buscariam impedir que altos funcionários do governo, incluindo o atual presidente dos EUA, Donald Trump, e membros de sua família, possuam, administrem ou se beneficiem de empresas ligadas a criptomoedas.
Para os democratas, tais medidas são consideradas essenciais para garantir credibilidade e confiança institucional na regulamentação do setor. Já os republicanos veem essa linguagem como uma linha vermelha, por entenderem que a aplicação imediata das restrições teria impacto direto sobre a atual administração, dificultando qualquer avanço no curto prazo.
A TD Cowen descreve esse embate como um impasse estrutural. Sem concessões, a legislação mais ampla tende a permanecer estagnada. Como alternativa, os analistas sugerem um possível acordo político que envolveria o adiamento das regras de conflito de interesses por cerca de três anos. Nesse cenário, o arcabouço regulatório poderia ser aprovado agora, enquanto os dispositivos éticos mais sensíveis ficariam para um governo futuro.
O relatório também destaca o cálculo eleitoral por trás do ritmo legislativo. Há a percepção de que os democratas podem não ter incentivos para acelerar a aprovação em 2026, caso avaliem como plausível a retomada do controle da Câmara dos Representantes nas eleições de meio de mandato. Uma eventual mudança no equilíbrio de poder permitiria reabrir o debate sobre as regras éticas em termos mais favoráveis ao partido.
Apesar das projeções de atraso, a análise indica que o Congresso não abandonou a pauta regulatória das criptomoedas. A expectativa é de que as negociações continuem em 2026 por meio da Lei CLARITY, vista como um instrumento mais restrito, porém viável, para avanços graduais na definição de competências e regras de mercado.
Enquanto o debate se estende, empresas e participantes do setor seguem operando em um ambiente de incerteza regulatória prolongada. A TD Cowen avalia que, embora o impulso político em torno das criptomoedas esteja crescendo, as mudanças estruturais mais profundas no mercado americano ainda exigirão tempo, negociação contínua e soluções para disputas éticas que permanecem sem consenso.














