- Queda do rial acelera adoção de stablecoins no Irã
- Inflação elevada pressiona consumo e estimula protestos
- Sanções ampliam uso de criptomoedas em transações externas
A desvalorização do rial voltou a se intensificar nesta semana e levou a moeda iraniana a níveis históricos frente ao dólar. Em determinados momentos, a cotação chegou à faixa de 1,42 milhão de riais por dólar, antes de uma correção parcial para perto de 1,38 milhão. O movimento aprofundou as dificuldades financeiras das famílias e elevou o custo de produtos essenciais no país.
Indicadores recentes mostram que a inflação permanece como um dos principais fatores de desgaste econômico. Em dezembro, o índice anual alcançou 42,2%, enquanto os preços dos alimentos acumularam alta de 72%. Os gastos com saúde também subiram de forma expressiva, com avanço de cerca de 50%, ampliando a pressão sobre o orçamento doméstico e reduzindo o poder de compra da população.
BREAKING: Iran is now accepting Bitcoin for weapons, Missiles, Drones, and Warships.
Why? To Bypass Sanctions after their Currency Crashed 50% and Inflation Soared 42.5%.
Crypto Goes from Oil to arms, Openly. The world is watching. pic.twitter.com/7pbuHSgenH
— Crypto Patel (@CryptoPatel) January 1, 2026
A deterioração econômica resultou em protestos em diferentes regiões. No domingo, manifestações ganharam força em Teerã e em outras grandes cidades. Comerciantes do entorno do Grande Bazar suspenderam atividades e participaram de atos públicos, em um gesto que teve forte impacto simbólico. Registros divulgados nas redes sociais mostraram palavras de ordem contra o regime, embora autoridades tenham questionado a contextualização de parte das imagens.
O presidente Masoud Pezeshkian reconheceu a instabilidade e orientou que os órgãos responsáveis tratassem as reivindicações como de natureza econômica. Ele determinou que o Ministério do Interior dialogasse com representantes dos protestos. Já o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, pediu medidas urgentes para conter a perda do poder de compra e afirmou que agentes externos estariam explorando o cenário interno.
Paralelamente, a perda de confiança no rial tem impulsionado o uso de criptomoedas, com destaque para stablecoins atreladas ao dólar. Em ambientes marcados por sanções e restrições bancárias, esses ativos passaram a ser usados como alternativa para preservar valor e realizar pagamentos. Analistas de blockchain observam que esse comportamento já se repete em outras economias sob pressão semelhante.
O avanço das criptomoedas no país também está ligado ao comércio internacional. Informações divulgadas anteriormente indicam que órgãos estatais iranianos aceitam pagamentos em ativos digitais em operações externas, buscando contornar limitações impostas pelo sistema financeiro tradicional. Estudos do setor mostram que países sancionados movimentam bilhões de dólares em criptos anualmente.
A crise provocou ainda mudanças institucionais. O então presidente do banco central, Mohammad Reza Farzin, deixou o cargo após críticas à política cambial e ao controle da inflação. Ao mesmo tempo, a renovação das sanções da Organização das Nações Unidas em 2025 reduziu ainda mais o acesso do Irã aos mercados globais.













