- Volume em exchanges centralizadas cai em dezembro
- DEXs perdem fôlego, mas ganham participação relativa
- Reposicionamento de fim de ano reduz liquidez
O volume de negociações à vista em exchanges de criptomoedas recuou de forma acentuada em dezembro, alcançando o menor patamar dos últimos 15 meses. Dados consolidados do mercado indicam que as plataformas centralizadas movimentaram cerca de US$ 1,13 trilhão no período, refletindo uma retração expressiva na atividade de negociação.
O resultado representa uma queda de 32% em relação aos US$ 1,66 trilhão registrados em novembro e uma redução ainda maior quando comparado a outubro, mês que havia concentrado volumes próximos de US$ 2,23 trilhões. O desempenho confirma um esfriamento gradual do interesse de curto prazo, típico do encerramento do ano.
Entre as exchanges centralizadas, a Binance respondeu pela maior fatia do volume mensal, somando aproximadamente US$ 367,35 bilhões. Na sequência aparecem ByBit, HTX, Gate e Coinbase, que juntas completam a maior parte das negociações globais em criptomoedas no período analisado.
Para Vincent Liu, CIO da Kronos Research, o movimento reflete fatores recorrentes do calendário financeiro.
“A queda na atividade das bolsas de valores em dezembro reflete uma convergência de fatores sazonais, volatilidade reduzida e posicionamento de fim de ano, já que os poucos catalisadores mantiveram a participação moderada”,
afirmou. Segundo ele,
“a migração de capital das bolsas e a mudança para plataformas alternativas de execução reduziram ainda mais os volumes”.
As exchanges descentralizadas também sentiram o impacto. O volume total negociado em DEXs caiu para cerca de US$ 245 bilhões em dezembro, uma retração de 20% frente a novembro e de 46% em relação a outubro. Mesmo assim, a Uniswap manteve a liderança entre essas plataformas, com aproximadamente US$ 60 bilhões em negociações mensais.
Apesar da queda absoluta, a participação das DEXs em relação às exchanges centralizadas aumentou. Em dezembro, essa proporção chegou a 17,95%, acima dos 15,92% observados em novembro e bem superior ao nível de dezembro de 2024. O dado sugere uma preferência gradual por soluções on-chain.
“Apesar dos volumes mais fracos em dezembro, o aumento da participação das DEXs em relação às CEXs reflete uma mudança estrutural em direção à autocustódia, transparência e eficiência de capital”,
explicou Liu. Ele acrescentou que “a melhoria na execução on-chain, juntamente com o lançamento de novas DEXs que oferecem incentivos de volume baseados em airdrops, continua a atrair atividade de negociação adicional”.
A desaceleração dos volumes coincidiu com um período de correção mais ampla no mercado. O Bitcoin era negociado próximo de US$ 89.010 no momento da apuração, acumulando leve alta diária, mas ainda distante de sua máxima histórica registrada em outubro. Liu observou que “o Bitcoin está se consolidando perto de US$ 87 mil a US$ 89 mil, com volatilidade moderada e uma tendência de curto prazo neutra a baixista”, enquanto investidores de longo prazo seguem ativos em movimentos de queda.












