- Irã quer negociar armas com criptomoedas em 2025
- Criptomoedas ajudam a contornar sanções internacionais
- Pagamentos em cripto evitam o sistema bancário tradicional
O Irã está se movimentando para utilizar criptomoedas como forma de pagamento em contratos de exportação de armas, conforme documentos do Ministério da Defesa do país analisados recentemente. A iniciativa, liderada pelo Centro de Exportação conhecido como Mindex, busca minimizar a dependência do sistema financeiro tradicional, especialmente o dólar, diante das sanções aplicadas pelos Estados Unidos e países europeus.
Além do rial iraniano e de acordos de troca, os contratos da Mindex agora incluem a possibilidade de liquidação por “moedas digitais”, em uma tentativa clara de reduzir os impactos das restrições financeiras internacionais. Os documentos apontam que o uso de criptomoedas está sendo considerado inclusive para o pagamento de equipamentos militares estratégicos.
A proposta oferece aos clientes acesso a um portal online com catálogo de produtos militares como os mísseis Emad, drones Shahed, navios da classe Shahid Soleimani e sistemas de defesa aérea de curto alcance. A plataforma inclui um chatbot e uma seção dedicada a dúvidas sobre sanções, com a garantia de que é possível executar os contratos “sem problemas”, mesmo sob restrições.
O Tesouro dos EUA alertou que redes iranianas têm utilizado empresas de fachada e criptomoedas para movimentar valores ligados a interesses militares e governamentais. Washington argumenta que, ao utilizar criptomoedas, o Irã dificulta a aplicação de sanções ao operar fora do sistema bancário tradicional, que depende de pagamentos em dólar e de bancos internacionais.
As medidas do Irã ocorrem em um momento em que os EUA intensificam as ações contra redes envolvidas na proliferação de armas. Em setembro de 2025, o Departamento do Tesouro já havia denunciado o uso de um “sistema bancário paralelo” que lavava dinheiro com criptomoedas. No final de dezembro, novas sanções atingiram agentes ligados ao comércio de drones entre Irã e Venezuela.
Segundo o subsecretário do Tesouro americano, John K. Hurley, os EUA “continuarão atuando contra os facilitadores do complexo militar-industrial iraniano”, com foco em interromper qualquer acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos.














