- China pressiona Países Baixos sobre Nexperia e cadeia de semicondutores
- Holanda mantém controle da Nexperia; Pequim critica interferência estatal
- ChangXin mira IPO e HBM até 2026 para competir em DRAM
As tensões globais no setor de semicondutores ganharam um novo capítulo quando a China cobrou, na quarta-feira, que os Países Baixos “corrijam” decisões ligadas à Nexperia, empresa de chips que opera em território holandês, mas pertence ao grupo chinês Wingtech.
Em uma reação direta a declarações do ministro da Economia holandês, Vincent Karremans, o Ministério do Comércio chinês afirmou que a interferência do governo na gestão da Nexperia teria causado impactos negativos na cadeia de suprimentos global de semicondutores, atribuindo a responsabilidade às autoridades do país europeu.
Na avaliação de Pequim, o governo holandês segue com a abordagem sem demonstrar preocupação com a estabilidade do fornecimento internacional de componentes, além de não apresentar ações concretas para reduzir os danos percebidos pela China no ecossistema de produção e distribuição de chips.
O ponto central do atrito é a decisão tomada no ano passado, quando os Países Baixos assumiram o controle da Nexperia. Autoridades locais justificaram a medida como uma forma de impedir a transferência de conhecimento técnico e operações de fabricação para a China, num contexto de maior sensibilidade estratégica sobre tecnologia.
Enquanto pressiona externamente, a China também intensifica mudanças internas para reforçar a indústria nacional de semicondutores. Entre as exigências recentes, fábricas no país passaram a ser direcionadas a comprar ao menos metade de seus equipamentos de fornecedores locais, em um movimento para reduzir dependência e ampliar autonomia.
Nesse mesmo ambiente, a ChangXin Memory Technologies (CXMT), maior produtora chinesa de chips DRAM, anunciou planos de abrir capital em Xangai buscando levantar 29,5 bilhões de yuans (cerca de US$ 4,22 bilhões). A empresa pretende usar os recursos para ampliar linhas de produção e elevar capacidades técnicas, incluindo o desenvolvimento de versões mais avançadas de memória.
A CXMT, criada em 2016 com apoio governamental, opera três fábricas de wafers DRAM de 12 polegadas e, segundo dados da Omdia citados em documentos da companhia, respondeu por 4% das vendas globais no segundo trimestre, enquanto Samsung, SK Hynix e Micron concentraram mais de 90%.
Além do DRAM tradicional, a fabricante mira memória de alta largura de banda (HBM), essencial para processadores avançados usados em aplicações de inteligência artificial. A expectativa é iniciar a produção de HBM até o fim de 2026, apoiada por uma nova unidade de embalagens em construção em Xangai.
Para 2025, a empresa projeta alta de até 140% nas vendas, impulsionada por preços mais altos de memória e avanço nas entregas desde julho. A virada para o lucro é apontada como possível em 2026, dependendo do volume de wafers enviados e do patamar de preços praticado.














