- Solana testa assinaturas pós-quânticas para proteger carteiras por décadas
- Aptos propõe SLH-DSA opcional sem migração total da rede
- Grayscale vê pouco impacto quântico nas criptomoedas em 2026
Solana e Aptos começaram a colocar em prática iniciativas de resistência à computação quântica, com foco em proteger seus blockchains contra ameaças que ainda não são imediatas, mas que podem ganhar relevância no longo prazo.
No caso da Solana, a rede implantou uma testnet com assinaturas digitais pós-quânticas após uma avaliação do Project Eleven voltada a medir a resiliência da infraestrutura. A proposta é testar, em ambiente controlado, como novos mecanismos de autenticação podem conviver com o ritmo e a escala exigidos por uma rede de alta demanda.
A base dessa testnet é o Winternitz Vault, um sistema de adesão opcional da Solana que utiliza assinaturas baseadas em hash para carteiras individuais. Na prática, a ideia é permitir que usuários interessados em uma camada extra de proteção possam optar por esse tipo de assinatura, sem exigir que todo o ecossistema migre de forma simultânea.
Desenvolvedores da Solana indicam que o objetivo é manter a rede preparada por décadas, mesmo sem a expectativa de que computadores quânticos capazes de quebrar os padrões atuais estejam disponíveis no curto prazo. A leitura é de planejamento estrutural, não de resposta a um ataque em andamento.
Na Aptos, o caminho segue uma lógica parecida. Uma proposta de governança, a AIP-137, busca adicionar um esquema opcional de assinatura pós-quântica chamado SLH-DSA, baseado em funções hash padronizadas pelo NIST. O Ed25519 continuaria como padrão, enquanto o novo método ficaria disponível para quem quiser proteção adicional.
Aptos proposed the post-quantum signature improvement AIP-137, aiming to add optional account-level support for post-quantum digital signatures to address long-term quantum computing risks. The proposal would not affect existing accounts and plans to support the hash-based…
— Wu Blockchain (@WuBlockchain) December 19, 2025
Como esses esquemas pós-quânticos dependem de ferramentas já conhecidas, como o SHA-256, o impacto no protocolo tende a ser mais contido. Ainda assim, assinaturas maiores podem aumentar ligeiramente o tempo de verificação e a carga operacional da rede, um ponto que passa a ser observado com atenção nos testes e discussões técnicas.
Especialistas do setor, incluindo Adam Back, cofundador da Blockstream, têm destacado que os riscos quânticos podem estar a décadas de distância, mas defendem uma postura proativa. Na mesma linha, a Grayscale avalia que os mercados de criptomoedas no curto prazo não devem ser afetados por ameaças quânticas em 2026, reforçando o caráter preventivo dessas iniciativas.














