- Roubos de criptomoedas crescem e atingem carteiras individuais
- Exchanges centralizadas seguem vulneráveis a chaves privadas
- DeFi mostra avanços relevantes em segurança on-chain
Os ataques a criptomoedas alcançaram mais de US$ 3,4 bilhões em 2025, superando levemente o volume registrado no ano anterior e reforçando a atenção do mercado para falhas de segurança fora do ambiente DeFi. Os dados indicam uma mudança clara no perfil das investidas, com maior foco em carteiras individuais e em acessos privilegiados a serviços centralizados.
De janeiro até o início de dezembro, o total roubado chegou a US$ 3,41 bilhões, impulsionado principalmente por grandes incidentes. Um único ataque, que resultou na perda de US$ 1,5 bilhão da exchange Bybit, respondeu por cerca de 44% do valor anual. Somados, os três maiores ataques representaram 69% das perdas em serviços, evidenciando o impacto concentrado de violações de grande escala.
Ao mesmo tempo, cresceu de forma relevante o número de ataques direcionados a usuários individuais.
“As invasões de carteiras pessoais cresceram substancialmente, passando de apenas 7,3% do valor total roubado em 2022 para 44% em 2024”,
disse a Chainalysis. Em 2025, foram registrados cerca de 158 mil casos, envolvendo ao menos 80 mil vítimas únicas.
Embora o número de incidentes tenha aumentado, o valor total roubado de indivíduos caiu para US$ 713 milhões, frente aos US$ 1,5 bilhão do ano anterior. Esse movimento sugere uma estratégia focada em quantias menores distribuídas entre mais usuários. Redes como Ethereum e Tron apresentaram taxas mais altas de vítimas por 100 mil carteiras quando comparadas a Base e Solana.
Os serviços centralizados continuaram respondendo pela maior parte das perdas financeiras, sobretudo no início do ano. Apenas no primeiro trimestre de 2025, ataques ligados a violações de chaves privadas foram responsáveis por 88% dos valores roubados, apesar do uso de estruturas profissionais de segurança.
Em contraste, o setor DeFi mostrou sinais claros de amadurecimento. Mesmo com a recuperação do valor total bloqueado, as perdas permaneceram controladas. “O incidente do Protocolo Venus em setembro de 2025 exemplifica como práticas de segurança aprimoradas estão fazendo uma diferença tangível”, observou a Chainalysis.
Após detectar atividade suspeita com antecedência, a Venus conseguiu interromper operações e recuperar fundos rapidamente.
“A combinação de monitoramento proativo, capacidade de resposta rápida e mecanismos de governança que podem agir de forma decisiva tornou o ecossistema mais ágil e resiliente”,
afirmou a Chainalysis.
No cenário geopolítico, a Coreia do Norte manteve a posição de maior ameaça, com roubos estimados em US$ 2,02 bilhões em 2025.
“Enquanto a Coreia do Norte continua a usar o roubo de criptomoedas para financiar prioridades estatais e contornar sanções internacionais, o setor precisa reconhecer que esse agente malicioso opera com regras diferentes das dos cibercriminosos típicos”,
afirmou a Chainalysis.














