- IPC sobe 2,7% e alivia pressão sobre juros do Federal Reserve
- Inflação núcleo em 2,6% reforça aposta em cortes de juros
- Bitcoin hoje avança 1,5% com melhora do apetite por risco
As pressões inflacionárias nos Estados Unidos arrefeceram mais do que o mercado esperava em novembro, segundo a leitura mais recente do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgada pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho na quinta-feira. O indicador avançou 2,7% no comparativo anual, abaixo da projeção de 3,1% estimada por economistas, em números citados pela Bloomberg.
No recorte “núcleo”, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, a inflação também veio mais branda. Os preços subiram 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as previsões apontavam para 3,1% no núcleo, sinalizando um alívio mais amplo nas pressões sobre o custo de vida.
Com a leitura mais fraca do IPC, ativos de risco ganharam fôlego ao longo do dia, refletindo uma recalibração das expectativas de juros. No mercado de criptomoedas, o bitcoin hoje era negociado a US$ 88.700, em alta de 1,5% no momento citado, acompanhando a melhora do humor global e a busca por posições mais expostas a crescimento.
O relatório trouxe um detalhe relevante para quem acompanha a trajetória da política monetária. Esta foi a primeira leitura da inflação desde novembro, já que o relatório referente a outubro foi cancelado por causa da paralisação do governo, o que impediu a divulgação de comparações mensais para os preços ao consumidor.
Em setembro, último mês com dados disponíveis antes do hiato, tanto o IPC cheio quanto o núcleo mostravam alta de 3% na base anual. A nova leitura, portanto, reforça a percepção de perda de força da inflação, ainda que o nível permaneça acima do objetivo perseguido pelas autoridades monetárias.
O documento divulgado na quinta-feira também deve marcar a última etapa do calendário econômico afetado pela paralisação que se estendeu por 43 dias no início do ano. O relatório de empregos de novembro saiu na terça-feira, indicando criação de vagas acima do esperado, enquanto a taxa de desemprego alcançou o maior patamar em quatro anos. Já o payroll de dezembro está previsto para 9 de janeiro de 2026, voltando ao cronograma tradicional de sexta-feira pela manhã.
“A inflação ainda está acima da meta… mas isso deve ser temporário”, disse Jeffrey Roach, economista-chefe da LPL Financial. “À medida que a demanda arrefecer nos próximos meses, as pressões sobre os preços devem diminuir, dando aos investidores um pouco de fôlego.”
Para os mercados, a combinação entre inflação mais fraca e atividade ainda resiliente tende a influenciar as expectativas de juros. O Federal Reserve mira inflação de 2% medida pelo índice de despesas de consumo pessoal (PCE), divulgado pelo Departamento de Análise Econômica na última semana de cada mês, e esse termômetro segue no centro das apostas para o próximo passo da política monetária.












