- Investidores exigem garantias em aporte da Ripple
- Acordo reforça peso das reservas de XRP
- Estrutura limita risco e afeta expansão futura
A Ripple concluiu uma venda de ações de US$ 500 milhões que chamou atenção de grandes instituições financeiras por causa das proteções exigidas pelos participantes. A operação, finalizada em novembro, avaliou a empresa em cerca de US$ 40 bilhões, um dos maiores valores já atribuídos a uma companhia privada ligada ao setor de criptomoedas.
Entre os investidores estão nomes como Citadel Securities e Fortress Investment Group. Apesar do valor elevado, o ponto central do acordo foi a forma como a transação foi estruturada, refletindo a postura dos fundos diante das oscilações do mercado de criptos.
Em vez de um modelo tradicional de investimento de risco, os aportes foram condicionados a cláusulas robustas. Diversos fundos negociaram o direito de revender suas ações no futuro com retorno garantido, além de prioridade em caso de aquisição da empresa ou eventuais dificuldades financeiras. Essa abordagem demonstra que as instituições estão dispostas a participar do mercado, mas apenas com mecanismos que reduzam a volatilidade típica do setor.
Dois fundos que analisaram a Ripple concluíram que grande parte do valor da empresa está diretamente ligada às suas reservas de XRP, estimando que até 90% da avaliação dependa desses ativos. Com o token acumulando queda superior a 40% desde julho, essa conexão se tornou ainda mais relevante, justificando a inclusão das cláusulas de proteção.
A Ripple destaca que sua estratégia de longo prazo vai além do XRP, citando esforços em stablecoins, serviços de corretagem prime e aquisições recentes. A leitura dos investidores, porém, indica que o mercado ainda enxerga o token como peça central no modelo de negócios.
O movimento ocorre em um ano de forte atividade no mercado de captação para empresas ligadas a criptomoedas. Estimativas indicam que aportes de venture capital e IPOs no setor somaram aproximadamente US$ 23 bilhões em 2025. Ao mesmo tempo, empresas recém-listadas enfrentaram fortes quedas, ilustrando a fragilidade do momento.
Os termos fechados com os investidores permitem que eles obriguem a Ripple a recomprar as ações dentro de três ou quatro anos caso não ocorra um IPO, com retorno mínimo anual de 10%. Se a empresa optar pela recompra por conta própria, o custo pode chegar a 25% ao ano. Projeções apontam que essas obrigações podem alcançar US$ 732 milhões, afetando o fluxo de caixa destinado à expansão.
Para reforçar sua tese de diversificação, a Ripple adquiriu a corretora Hidden Road por US$ 1,25 bilhão e a plataforma de tesouraria GTreasury por US$ 1 bilhão. Mesmo assim, parte do mercado acredita que as reservas de XRP continuam ditando a percepção sobre a empresa, já que seu valor ainda supera amplamente a avaliação definida na rodada.
Como ressaltou Steve McLaughlin, especialista em fintechs, modelos de financiamento que garantem retorno aos investidores indicam que o mercado busca limitar riscos, mesmo diante de avaliações elevadas.












