- Governo indiano recua após críticas de privacidade
- Sanchar Saathi deixa de ser instalação obrigatória
- App exigia permissões consideradas invasivas
O governo da Índia decidiu flexibilizar a política que tornava obrigatório o uso do aplicativo de cibersegurança Sanchar Saathi em todos os novos celulares vendidos no país. A medida, anunciada pelo Ministério das Comunicações no final de novembro, enfrentou forte resistência pública devido às preocupações relacionadas à privacidade.
Inicialmente, fabricantes e importadores foram instruídos a vender dispositivos já equipados com o aplicativo, criado para combater fraudes digitais. Além disso, as empresas deveriam assegurar que o app permanecesse acessível e com todas as suas funções ativas, o que ampliou as críticas e gerou debates sobre autonomia do usuário.
Diante da repercussão negativa, o Ministro das Comunicações, Jyotiraditya Scindia, afirmou que a instalação não será mais obrigatória. “Se você não quiser o Sanchar Saathi, pode excluí-lo”, declarou. Ele reforçou que o uso passa a ser totalmente opcional, em um esforço para reduzir tensões e demonstrar que o governo não pretende impor ferramentas vistas como intrusivas.
"There is no snooping and no call monitoring. If you want #SancharSaathiApp, keep it. The choice to activate, keep, or delete the app rests entirely with the user."
– Hon'ble Minister Shri @JM_Scindia Ji
The app continues to deliver strong citizen benefits:
• 26 lakh mobile… pic.twitter.com/BJ1IC4vMfG— Office Of JM Scindia (@Officejmscindia) December 3, 2025
Oposição e entidades civis contestaram a decisão original, destacando riscos à privacidade. Mallikarjun Kharge, líder do Partido do Congresso, afirmou no X que a exigência significava “espionar, vigiar, vasculhar e bisbilhotar”, chegando a caracterizar a iniciativa como uma “ditadura”. A reação evidenciou o desconforto político e social causado pela obrigatoriedade do aplicativo.
Segundo autoridades que conversaram com a Bloomberg, o Sanchar Saathi permite aos usuários bloquear celulares roubados, verificar conexões móveis e identificar possíveis fraudes. Para funcionar, o aplicativo solicita acesso ao registro de chamadas, mensagens de texto, câmera e outros recursos. Os representantes do governo enfatizaram que o app não acessa o microfone, a localização, o Bluetooth ou o sistema operacional do aparelho.
A discussão ganhou ainda mais peso devido ao tamanho do mercado indiano, hoje o país mais populoso do mundo. Plataformas como Apple e Google costumam estabelecer limites rígidos para intervenções governamentais em seus ecossistemas, argumentando que esse controle é fundamental para manter padrões de segurança e proteger dados dos usuários.
Com a mudança, o aplicativo deixa de ser um requisito obrigatório e passa a figurar como uma ferramenta adicional, que poderá ser utilizada por quem desejar reforçar a proteção contra fraudes digitais.













