O Irã convocou neste domingo um diplomata ucraniano em Teerã após um ataque contra uma embarcação comercial iraniana no Mar Cáspio. Segundo o governo iraniano, a ação deixou um marinheiro morto e outros tripulantes feridos.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã apresentou uma reclamação ao encarregado de negócios da Ucrânia e classificou o episódio como um “ato hostil e criminoso”. A acusação ocorre enquanto o conflito entre Rússia e Ucrânia se conecta cada vez mais às tensões envolvendo Teerã e seus aliados.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, confirmou que forças ucranianas realizaram ataques de longo alcance no Mar Cáspio. Segundo ele, entre os alvos estavam embarcações utilizadas para transportar cargas militares relacionadas ao Irã e também um navio de guerra.
A ofensiva tem relação com o apoio militar iraniano à Rússia. Teerã é apontado há anos como fornecedor dos drones Shahed utilizados pelas forças russas em ataques contra a Ucrânia.
A situação também ocorre em meio à intensificação dos confrontos no Oriente Médio. A Arábia Saudita realizou ataques contra alvos houthis apoiados pelo Irã no Iêmen, enquanto as defesas aéreas sauditas interceptaram dois mísseis balísticos lançados a partir do território iemenita.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos reduziram temporariamente seus ataques contra o Irã após 13 noites consecutivas de operações. O atual presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu suspender as ofensivas para abrir espaço para esforços diplomáticos, segundo o embaixador americano na ONU, Mike Waltz.
“Ele está dando espaço para as conversas, está permitindo que elas aconteçam”, afirmou Waltz.
O bloqueio naval dos EUA contra o Irã, porém, permanece ativo. O Comando Central americano informou que, até 25 de julho, havia redirecionado 12 embarcações comerciais, desativado duas e abordado outras duas para garantir o cumprimento das regras.
Em resposta, a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica declarou ter “estabelecido autoridade completa sobre o Estreito de Ormuz”. O órgão afirmou ainda que seis navios foram obrigados a ancorar após advertências emitidas nas últimas 24 horas.
Apesar da interrupção das negociações formais entre Washington e Teerã, conversas técnicas sobre o Estreito de Ormuz continuaram com participação de Omã. A diplomacia também ganhou apoio do Paquistão, que busca uma forma de reabrir as negociações entre EUA e Irã com respaldo da China.
A movimentação diplomática ajudou a pressionar os preços do petróleo. Na sexta-feira, o Brent caiu quase 4%, para US$ 96,78 por barril, enquanto o WTI recuou 3%, encerrando a sessão em US$ 89,31.

