A Movement Labs, desenvolvedora da blockchain de camada 2 Movement, protocolou um pedido de recuperação judicial sob o Capítulo 11 no Tribunal de Falências dos Estados Unidos, em Delaware. A decisão ocorre após meses de dificuldades financeiras e da crise provocada pelo lançamento do token MOVE, que desencadeou perdas bilionárias de valor de mercado e comprometeu a sustentabilidade do projeto.
Os documentos apresentados ao tribunal mostram que a empresa possui menos de 1.000 credores. Além disso, estima entre US$ 100 mil e US$ 500 mil em ativos, enquanto seus passivos ultrapassam US$ 1 milhão.
O maior credor sem garantia é o ex-cofundador Ruhikesh Manche, que tem mais de US$ 1,6 milhão a receber. Também aparecem na lista de credores a Divisão de Receita de Delaware e a Anchorage Digital. A primeira audiência relacionada ao processo está marcada para 20 de agosto.
A origem da crise remonta a dezembro de 2024, quando o token MOVE foi lançado no mercado. Pouco depois da estreia na Binance, aproximadamente US$ 66 milhões em tokens foram vendidos como parte de um acordo de formador de mercado firmado com a Rentech.
O aumento repentino da oferta pressionou o preço da criptomoeda e eliminou bilhões de dólares em valor de mercado em poucos dias. Posteriormente, a Binance proibiu a atuação da Rentech, alegando que a empresa vendeu praticamente toda a sua posição apenas um dia após a listagem, realizando um volume mínimo de ordens de compra.
Segundo a exchange, a operação resultou em cerca de US$ 38 milhões de lucro para a market maker antes de sua remoção da plataforma, em 18 de março.
Como resposta ao episódio, a Movement Labs iniciou um programa de recompra do token MOVE com o objetivo de recuperar parte da liquidez do ecossistema. Paralelamente, contratou a Groom Lake para revisar o acordo firmado com a Rentech.
A investigação identificou conexões entre a Rentech e a corretora chinesa Web3Port, descoberta que contribuiu para a demissão de Ruhikesh Manche em meio ao escândalo.
Apesar das dificuldades atuais, a empresa havia levantado aproximadamente US$ 141,4 milhões em diferentes rodadas de investimento, incluindo uma Série A liderada pela Polychain Capital. Ainda assim, os indicadores de atividade da rede mostram uma realidade bastante diferente da expectativa criada pelos aportes.
Dados da DeFiLlama indicam que a receita diária do protocolo permanece abaixo de US$ 800 desde novembro de 2025. As taxas geradas pela blockchain também permaneceram em níveis muito baixos durante vários meses e, nas últimas 24 horas, somaram apenas US$ 8.
Enquanto isso, o token MOVE renovou sua mínima histórica em 20 de julho. Após ser negociado próximo de US$ 0,041 em janeiro, o ativo caiu para aproximadamente US$ 0,01043, acumulando uma desvalorização superior a 99% em relação ao seu recorde histórico de US$ 1,45.
Mesmo com a forte queda da criptomoeda, o valor total bloqueado (TVL) da rede permanece em torno de US$ 133 milhões.
Inicialmente desenvolvida para conectar blockchains construídas com a linguagem Move ao ecossistema Ethereum, a Movement anunciou em junho uma mudança de estratégia. A empresa passou a priorizar soluções voltadas para pagamentos internacionais, remessas e produtos focados na economia baseada em dólar, em uma tentativa de reposicionar a plataforma diante da queda da atividade on-chain e da perda de confiança dos investidores.

