Michael Saylor, cofundador e presidente executivo da Strategy, publicou um ensaio com 110 argumentos contra o BIP-110, proposta que pretende alterar regras da rede Bitcoin e vem dividindo desenvolvedores, operadores de nós e mineradores. O texto rapidamente ganhou repercussão na comunidade, ultrapassando 840 mil visualizações.
Ao divulgar o artigo, Saylor afirmou que compartilha a preocupação dos apoiadores em proteger o Bitcoin, mas acredita que a solução proposta pode gerar mais prejuízos do que benefícios.
Intitulado "110 Razões pelas quais o BIP 110 é uma má ideia", o ensaio sustenta que as regras de consenso não devem julgar a finalidade de transações válidas. Segundo Saylor, operadores de nós têm liberdade para escolher quais dados desejam retransmitir, armazenar ou indexar, sem que seja necessário modificar o protocolo da rede.
O executivo defende que alterações nas regras de consenso só devem ocorrer diante de riscos comprovados de validação ou de ataques de negação de serviço, e não para limitar determinados usos considerados indesejados.
A proposta BIP-110 surgiu após mudanças implementadas no Bitcoin Core que removeram limites padrão relacionados ao campo OP_RETURN. O projeto estabelece, por um período de um ano, restrições ao armazenamento de grandes volumes de dados na blockchain. O cliente compatível com a proposta é baseado no Bitcoin Knots, software mantido por Luke Dashjr, diretor de tecnologia da Ocean e um dos principais defensores da iniciativa.
Entre os trechos mais comentados do ensaio está a frase: "O Bitcoin não precisa de guardiões da pureza. Ele precisa de guardiões da neutralidade."
O cronograma do BIP-110 prevê o início do período obrigatório de sinalização próximo ao bloco 961.632, estimado para agosto. Caso a adesão permaneça baixa, os nós que adotarem a proposta poderão rejeitar blocos produzidos por mineradores que não sinalizarem apoio, aumentando o risco de uma divisão da blockchain.
Até o momento, o apoio permanece distante do necessário para uma ativação antecipada. Estimativas apontam que apenas entre 7% e 15% dos nós executam clientes compatíveis com o BIP-110, enquanto os defensores da proposta afirmam que as restrições temporárias ajudariam a preservar o uso monetário do Bitcoin e reduzir a utilização da rede para armazenamento de dados não financeiros.


