- Fluxo de criptomoedas cai forte em 2026
- Bitcoin lidera compras de tesourarias corporativas
- Demanda institucional recua com saídas de ETFs
Os fluxos de criptomoedas registraram uma queda significativa no primeiro trimestre de 2026, contrariando expectativas de crescimento ao longo do ano. Estimativas de analistas do JPMorgan apontam que o volume total ficou em torno de US$ 11 bilhões, cerca de um terço do observado no mesmo período de 2025.
Esse desempenho indica um ritmo anualizado próximo de US$ 44 bilhões, bem abaixo do recorde de US$ 130 bilhões alcançado no ano passado. A análise considera diferentes fontes, incluindo fundos de criptomoedas, contratos futuros da CME, financiamento de capital de risco e compras corporativas de bitcoin.
Um dos principais destaques do trimestre foi o papel das tesourarias corporativas. A maior parte dos fluxos veio dessas empresas, com destaque para aquisições de bitcoin financiadas por estratégias de captação de recursos. Em contraste, investidores individuais e institucionais mostraram participação reduzida.
O mercado de derivativos também apresentou sinais de enfraquecimento. O posicionamento em contratos futuros da CME caiu em relação a 2024 e 2025, sugerindo menor interesse institucional nesse segmento. Ao mesmo tempo, ETFs de bitcoin à vista e Ethereum enfrentaram saídas relevantes, especialmente em janeiro, embora tenham registrado entradas pontuais em março.
No ambiente corporativo, o comportamento foi desigual. Enquanto algumas empresas ampliaram suas reservas em bitcoin, outras optaram por vender ativos para recomprar ações ou melhorar a liquidez.
“No primeiro trimestre de 2026, as compras de bitcoin da [Strategy] foram financiadas principalmente por meio da emissão de ações”, escreveram os analistas. “Além disso, a empresa indicou a intenção de continuar usando uma combinação de ações ordinárias e ações preferenciais perpétuas para sustentar o acúmulo contínuo de bitcoin, enquanto outras tesourarias corporativas mantêm uma postura bastante defensiva.”
As mineradoras de bitcoin também mudaram de comportamento e passaram a atuar como vendedoras líquidas. Parte dessas vendas foi usada para financiar operações, investimentos e ajustes financeiros, incluindo iniciativas ligadas à inteligência artificial.
O financiamento de capital de risco seguiu ativo, mas mais concentrado. Houve menos rodadas, porém com valores maiores, lideradas por empresas já estabelecidas no setor.
“No geral, nossa estimativa do fluxo total de ativos digitais diminuiu consideravelmente no primeiro trimestre do ano, registrando um ritmo anualizado próximo a um terço do observado no ano passado. Além disso, os fluxos de investidores, tanto de varejo quanto institucionais, foram pequenos ou até mesmo negativos no acumulado do ano, com a maior parte do fluxo de ativos digitais no primeiro trimestre de 2026 proveniente das compras de bitcoin da [Strategy] e do financiamento concentrado de capital de risco em criptomoedas”, concluíram os analistas.












