A Dunamu, empresa responsável pela corretora de criptomoedas Upbit, passou a enfrentar um processo de sanções na Coreia do Sul em decorrência do ataque hacker que resultou no roubo de aproximadamente US$ 30 milhões em ativos digitais no fim de 2025. A medida foi iniciada pelo Serviço de Supervisão Financeira (FSS), que concluiu uma inspeção sobre o incidente e encaminhou recentemente um relatório à companhia.
A investigação ocorre cerca de oito meses após o ataque que atingiu a maior corretora de criptomoedas do país em volume de negociações. Na ocasião, criminosos conseguiram desviar 44,5 bilhões de won, equivalentes a cerca de US$ 30 milhões, em ativos baseados na criptomoeda Solana (SOL). Segundo as informações divulgadas, as transferências foram realizadas para uma carteira externa ao longo de aproximadamente 54 minutos.
Após identificar a invasão, a Upbit utilizou recursos próprios para reembolsar os clientes afetados. A empresa informou que cobriu cerca de 38,6 bilhões de won em prejuízos e conseguiu congelar aproximadamente 2,6 bilhões de won dos ativos roubados, enquanto continua trabalhando para recuperar parte dos valores desviados.
Além do ataque em si, a corretora também foi alvo de críticas pela forma como comunicou o incidente ao mercado. A divulgação ocorreu somente após o encerramento de um evento relacionado à fusão da Dunamu com a Naver Financial, negociação que ainda depende de conclusão e foi adiada para o fim de dezembro deste ano.
O órgão regulador analisa se houve descumprimento da Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais, principal legislação voltada ao mercado de criptomoedas na Coreia do Sul. Entretanto, especialistas apontam que a norma possui limitações, já que seu foco está na proteção dos usuários e em práticas comerciais desleais, sem estabelecer punições específicas para ataques cibernéticos ou falhas de infraestrutura tecnológica.
Diante dessa lacuna, as autoridades sul-coreanas estudam incluir novas regras na futura Lei Básica de Ativos Digitais. A proposta pretende criar dispositivos específicos para responsabilização de corretoras em casos de ataques hackers, além de definir critérios para sanções e indenizações decorrentes de incidentes envolvendo tecnologia da informação.
O governador do Serviço de Supervisão Financeira, Lee Chan-jin, já havia indicado anteriormente que, embora a legislação atual apresente limitações, o episódio não poderia ser ignorado pelo regulador. Após o período de esclarecimentos concedido à Dunamu, a FSS deverá informar o nível de sanção proposto. A decisão final ficará sob responsabilidade do Comitê de Revisão de Sanções, da Comissão de Valores Mobiliários e Futuros e da Comissão de Serviços Financeiros.
Enquanto isso, as investigações seguem em andamento. Autoridades sul-coreanas ainda suspeitam do envolvimento do Grupo Lazarus, ligado à Coreia do Norte, embora a autoria do ataque não tenha sido oficialmente confirmada pela Upbit nem pelos órgãos reguladores.
Paralelamente, o regulador também concluiu uma inspeção na corretora Bithumb, relacionada a um incidente envolvendo alocação incorreta de bitcoins. Os procedimentos para possíveis sanções deverão começar após a conclusão das análises jurídicas, enquanto o FSS retoma suas inspeções regulares em meados de agosto.

