Dez vacas leiteiras de uma fazenda no Paraná foram usadas como garantia de um empréstimo registrado na B3, principal bolsa de valores brasileira. A operação envolveu R$ 100 mil em crédito e animais avaliados em aproximadamente R$ 120 mil.
O negócio foi estruturado com a Fazenda Engenho Velho, localizada em Imbituva, e representa a primeira aceitação formal de gado tokenizado como garantia na B3. A proposta utiliza tecnologia para transformar animais físicos em ativos digitais verificáveis.
“Pegamos a vaca, um ativo real e tangível, e a transformamos em um ativo digital respaldado por um código exclusivo monitorado em tempo real.”, afirmou Thiago Martins, CEO da Cowmed, em 23 de julho de 2026.
Inteligência artificial monitora os animais
Cada vaca recebeu uma identidade digital exclusiva baseada em informações de saúde, comportamento e localização. Os dados são coletados por coleiras inteligentes desenvolvidas pela Cowmed, empresa de tecnologia voltada ao setor agrícola.
O sistema converte essas informações em um código vinculado ao contrato de crédito. Dessa maneira, o credor consegue acompanhar digitalmente as condições do animal sem depender de inspeções presenciais frequentes.
Os dez animais foram avaliados em R$ 120 mil, garantindo uma cobertura de 1,2 vez o valor do empréstimo. A margem de 20% oferece proteção adicional para a operação.
Empresas estruturaram o crédito rural
A transação envolveu três participantes. A Cowmed ficou responsável pelo monitoramento dos animais, enquanto a BMP Sociedade de Crédito Direto originou o financiamento.
Depois, os direitos de crédito foram cedidos à Target FIDC, responsável pela estruturação dos recebíveis. O fundo registrou a operação na plataforma da B3.
“Os bancos exigirão cada vez mais garantias reais e novas informações.”, declarou Humberto Brenner, diretor da Target FIDC, em 23 de julho de 2026.
A tecnologia também pode reduzir um problema recorrente no crédito agrícola. Instituições financeiras costumam aplicar descontos significativos sobre o valor do gado usado como garantia devido à dificuldade de verificar sua condição e localização.
Tokenização pode ampliar acesso ao crédito
A Cowmed monitora aproximadamente 100 mil vacas em 1.200 propriedades distribuídas por seis países. O rebanho acompanhado pela empresa é estimado em cerca de R$ 2 bilhões.
A companhia calcula que até 20% desse patrimônio, equivalente a aproximadamente R$ 400 milhões, poderá ser utilizado como garantia tokenizada nos próximos dois anos.
A Target FIDC também analisa operações com outros quatro produtores brasileiros e pretende conceder cerca de R$ 5 milhões em crédito por meio do modelo até o fim de 2026.
A B3 prepara ainda iniciativas próprias relacionadas à tokenização e uma stablecoin vinculada a ativos do mercado real. Nesse contexto, o uso de gado como garantia funciona como uma aplicação inicial da tecnologia de ativos reais tokenizados no mercado financeiro brasileiro.

