- Mineradoras de Bitcoin vendem reservas para sustentar caixa.
- Queda no preço do hash pressiona margens e dívida.
- Infraestrutura de IA vira prioridade e drena capital.
A recente redução das reservas por mineradoras públicas de Bitcoin reforça sinais de que a estratégia de manter BTC como ativo central de tesouraria, popularizada na alta de 2024-2025, vem perdendo espaço. Nos últimos meses, grandes empresas do setor passaram a vender parte relevante de seus estoques, em um movimento associado à compressão das margens e ao aumento das exigências de capital.
Relatos apontam que a Cango liquidou aproximadamente 4.451 BTC no mês passado, o equivalente a cerca de 60% de suas reservas. No mesmo período, a Bitdeer teria zerado o Bitcoin mantido em tesouraria, mostrando que a pressão por liquidez não está restrita a uma única operação.
Outras companhias também aparecem no radar. A Riot Platforms e a Core Scientific realizaram vendas no fim do ano passado e, segundo projeções mencionadas por analistas, planejavam vender cerca de 2.500 unidades no primeiro trimestre. Somadas, as principais mineradoras venderam mais de 15.000 Bitcoins em cinco meses, após a queda do Bitcoin em outubro reduzir a capacidade de geração de lucro.
Parte do capital liberado com essas vendas vem sendo direcionada para infraestrutura de IA. O foco em data centers e capacidade computacional aumentou os gastos planejados, o que tem levado empresas a priorizar fluxo de caixa e financiamento. Enquanto isso, fatores como concorrência mais intensa, energia mais cara e a própria desvalorização do Bitcoin reduziram o espaço de manobra: as margens elevadas observadas em 2021 já não se repetem, apertando quem depende principalmente da mineração.
Em comunicado, a Riot afirmou que “a queda contínua no preço do bitcoin pode exigir que eles vendam mais do que o esperado para que possam manter fluxo de caixa suficiente para as operações diárias e capital de giro”.
A Marathon Digital Holdings (MARA) também ajustou sua estratégia. A companhia revisou a política para permitir a liquidação de reservas, e não apenas a venda de moedas recém-mineradas, apesar de ter mais de 53.000 BTC em 31 de dezembro de 2025.
Com o preço do hash citado em US$ 30 por PH/s por dia, análises indicam que muitas mineradoras operam com margens próximas de zero. A TheEnergyMag observou que, “Historicamente, a diferença entre o preço do hash e o custo do hash tem sido um dos principais motivos para liquidações de ativos”.












